Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

Botocudos

 

   As aspirações imperiais e os planos bélicos de Napoleão Bonaparte (1769-1821) motivaram três invasões de Portugal, comandadas pelos generais franceses Junot (1771-1813), em 1807, Soult (1769-1851), em 1809, e Massena (1758-1817), em 1810. Antecipando estas movimentações, o rei D. João VI (1767-1826), a família real portuguesa e a corte transferiram-se para o Rio de Janeiro em 1807. Tal facto resultou a médio prazo  na independência do Brasil, declarada, de acordo com a tradição, nas margens do rio Ipiranga por D. Pedro (I do Brasil, IV de Portugal, 1798-1834), filho de D. João VI, em 1822.

   A presença da corte portuguesa no Brasil inevitavelmente originou movimentações diplomáticas e comerciais sem precedentes, atraindo a atenção de vários europeus para uma realidade sul-americana até então largamente desconhecida da maioria do mundo ocidental. Entre outras razões, é possível que a presença da corte portuguesa no Brasil tenha estado na origem da viagem que o príncipe alemão Maximilian zu Wied-Neuwied (1782-1867) efectuou por terras brasileiras, entre 1815 e 1817. Possivelmente pela primeira vez no mundo europeu, Maximiliano registou e comentou as características dos Botocudos (também referidos por outros autores sob a designação de Aimores ou Aimbores) no seu livro Reise nach Brasilien in den Jahren 1815 bis 1817 (publicado em Português como Viagem ao Brasil), editado no mesmo ano em Alemão (Frankfurt, 1820-21) e em Inglês (Londres, 1820).

   A imagem reproduzida acima, da autoria de (Jacques Hippolyte) Vander-Burch (sic; 1786-1856), apresenta evidentes semelhanças com a gravura Uma Família de Botocudos em Viagem, publicada na página 291 (reproduzida abaixo) da edição inglesa da obra de Maximilian – um casal de Botocudos, com a sua prole, deslocando-se no leito de um rio. A mesma ênfase é dada à decoração do lábio inferior e dos lóbulos das orelhas, bem como ao transporte de armas pela figura masculina, à frente, e ao transporte das crianças pela figura feminina, atrás. Com excepção de pequenos pormenores, a representação da figura masculina é a mesma. 

 

 

© Blog da Rua Nove

publicado por blogdaruanove às 11:41
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2 comentários:
De Fabio Said a 11 de Agosto de 2007 às 14:13
As gravuras de Maximiliano são realmente magníficas. E o texto que as acompanha é saboroso, melhor até que os textos semelhantes de Maria Graham, Saint-Hilaire e outros viajantes estrangeiros pelo Brasil. Cheguei a este blog pesquisando sobre Maximiliano e acabei encontrando conteúdo muito mais interessante do que procurava. Parabéns! Já está entre os links recomendados no meu blog http://alcobaca-bahia.blogspot.com.
De blogdaruanove a 14 de Agosto de 2007 às 17:30
Prezado Fabio Said: Agradeço a visita, o comentário e a ligação no seu site. Visitarei o seu blog logo que retome um 'acesso' normal à net. De momento encontro-me de férias e apenas acedo à net via telemóvel (celular), o que me coloca algumas limitações. Saudações!

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