Segunda-feira, 12 de Março de 2007

Tuberculose

Preventório de Penacova, Coimbra, década de 1930 

 

   Henrique Pousão foi uma das muitas vítimas da tuberculose no século XIX. Milhares e milhares de portugueses anónimos morreram então com a tísica, o mal do século. Muitos outros não eram tão anónimos assim. O pintor Francisco Metrass (1825-1861) sucumbiu também a esta doença. Tal como os escritores Júlio Dinis (Joaquim Guilherme Gomes Coelho, 1839-1871), António Nobre (1867-1900), Soares de Passos (1826-1860), Cesário Verde (1855-1886) e o menos consagrado José Duro (1875-1899). Fernando Pessoa (1888-1935), contudo, sempre considerou este último um dos seus mestres para a obra heteronímica, juntamente com Cesário Verde.

   A tuberculose recebeu este nome em 1839, por intermédio de J. L. Schoenlein (1793-1864), que constatou ter esta doença múltiplos sintomas. No entanto, o bacilo só foi caracterizado em 1882 por Robert Koch (1843-1910), o qual veio a ser galardoado com o prémio Nobel da Medicina em 1905. A vacina surgiria em 1906, recebendo o nome, B.C.G., dos investigadores (Albert) Calmette (1863-1933) e (J.-M. Camille) Guerin (1872-1961).

 

Preventório de Penacova, Coimbra, década de 1930

 

   Em Portugal, tal como no resto da Europa, a doença ainda dizimava milhares de pessoas nos primeiros três decénios do século XX, pelo que a partir da década de 1930 se intensificou a implementação de sanatórios, preventórios e dispensários. Até 1974, os dispensários do I.A.N.T. constituíam uma visão comum na paisagem urbana portuguesa, embora tivessem servido essencialmente como centros de prevenção e vacinação nas últimas décadas do Estado Novo. À obra filantrópica do médico Bissaya Barreto (1886-1974) se ficou a dever o desenvolvimento de um vasto sistema de profilaxia e prevenção da doença nas Beiras, de que o preventório de Penacova é um dos múltiplos exemplos. Também à visão de Bissaya Barreto, que conjugava utopia com pragmatismo, se ficaram a dever o conjunto arquitectónico denominado Portugal dos Pequenitos, um projecto iniciado em 1938, da autoria do arquitecto Cassiano Branco (mencionado anteriormente no post: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/2007/03/06/), e a instituição da Fundação Bissaya Barreto (http://www.fbb.pt/).

 

Preventório de Penacova, Coimbra, década de 1930

 

   O Preventório de Penacova teve o seu edifício art déco renovado segundo um projecto de 1999. Reabriu em 2002 como unidade hoteleira, o Hotel Palacete do Mondego (http://www.palacete-penacova.net/), local de onde se desfruta uma magnífica panorâmica sobre o vale do rio Mondego.

   As imagens reproduzidas integram um conjunto de fotografias postais, de que se conhecem nove exemplares, editadas pela Junta da Província da Beira Litoral, Coimbra, na década de 1930. Os postais foram impressos na Alemanha.

 

Preventório de Penacova, Coimbra, década de 1930

 

© Blog da Rua Nove

publicado por blogdaruanove às 00:32
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2 comentários:
De Lupo a 17 de Outubro de 2010 às 18:32
Era só para dizer que Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática
De Leopoldo a 19 de Junho de 2013 às 00:38
O texto também não refere que Fernando Pessoa morreu de tuberculose. Refere que Pessoa considerava José Duro e Cesário Verde (estes sim mortos pela tuberculose) importantes poetas para a sua obra heteronímica.

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