Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Autógrafos - Aquilino Ribeiro

 

Aquilino Ribeiro, Filhas de Babilónia (1920;4.ª edição, 1925).

Capa de Stuart Carvalhais (1887-1961).

 

 

Aquilino Ribeiro (1885-1963).

   Autor habitualmente identificado com uma temática de índole regional e um léxico narrativo quase hermético, Aquilino Ribeiro elaborou contudo textos de características diversas, como aqueles que constituem as duas novelas deste volume - "Os Olhos Deslumbrados" e "Maga". 

   A globalidade da sua obra, mais heterogénea do que genericamente a história literária nos pode levar a pensar, inclui Terras do Demo (1919), um dos primeiros paradigmas dessa produção de índole aparentemente regionalista, mas também textos tão díspares como O Romance da Raposa (1924), um diário dos momentos iniciais da I Grande Guerra, É a Guerra (1914) e ainda uma adaptação do clássico Peregrinação (1933), de Fernão Mendes Pinto (1514?-1583). 

 

   De "Olhos Deslumbrados", transcrevem-se uma breve passagem, de nítido sabor queirosiano, e a conclusão da novela:

 

   "(...) Portugal é uma vinha vindimada para escritores; Portugal lê hoje o que Paris cuspiu há vinte anos. Não há um Portugal do século XX, há um Portugal do tempo da casaca verde. (...)"

 

   "(...) - Loucuras, Elsa. Sou o mesmo, o mesmo!

   E, como continuasse a chorar, envolvi-a em meus braços, vencido, dominado por aquela tão bela fragilidade.

   - Espera... - e, acabando de despir-se, jovialmente já, entrou na cama.

   Ante aquele corpo tépido, amoroso, ligeiro, duma ternura não mentida, esquecendo tudo, cedi à vertigem que de muito longe me levava»."

 

   Para que estas citações não desmereçam os "saborosos copos bebidos no Funil Gordo" da dedicatória de Aquilino, transcreve-se ainda uma outra passagem do livro, desta vez um parágrafo da novela mais curta, "Maga":

 

   "Bulevar fora, da Madeleine à Porte Saint Denis, os confeiteiros industriavam-se em dar realidade ao banquete fabuloso de Trimalquião. Galinhas de doce, com os tons imitativos da plumagem, punham de cócoras, em porcelanas caras, ovos que prometiam encerrar licores para beber e cair de gôzo. Faisões, saídos duma receita de convento, arremedavam, pintalgados, os faisões dos bosques. Galeras de chocolate, castelos de pudim, soldados de caramelo compunham painéis de modo a envergonhar o mais flagrante panóptico. E entre as obras primas da gulodice, perús trufados, ninhos de andorinha que perfumam a canja dos mandarins, tartarugas patinhando numa duna de caviar, trutas de Dembes, lagostas dos mares de Portugal, davam apetite ao mais enfastiado. Todo o regabofe do paladar e tôdas as fantasias da cozinha provocavam dos mostruários a fartos e a famintos, a estes deixando o consôlo - chalaceava Armando - de que tais iguarias arrombariam a máquina até à quarta geração. Mas o impudente desafio, o aroma, a forma e, mais que tudo, o sentimento do inacessível, arrancaram lágrimas a Lea, dando, ainda, vontade a todos três de trocarem o estômago são contra os dentes podres dos ricos."

 

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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Uma Ode de Ricardo Reis

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio
 

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio. 
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos 
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.  
        (Enlacemos as mãos.)  

 

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida 
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, 
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,  
        Mais longe que os deuses.  

 

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. 
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. 
Mais vale saber passar silenciosamente 
        E sem desassossegos grandes.  

 

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz, 
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos, 
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
        E sempre iria ter ao mar. 

 

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos, 
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias, 
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro 
        Ouvindo correr o rio e vendo-o.  

 

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as 
No colo, e que o seu perfume suavize o momento - 
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada, 
        Pagãos inocentes da decadência.

  

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois 
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova, 
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos 
        Nem fomos mais do que crianças.  

 

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio, 
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti. 
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio, 
        Pagã triste e com flores no regaço. 

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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Chaby Pinheiro

 

Chaby Pinheiro (1873-1933).

   Actor de um teatro que alguns críticos classificam como ligeiro, Chaby Pinheiro foi também intérprete de peças que os teatrólogos ortodoxos classificam como mais respeitáveis, da autoria de Henrik Ibsen (1828-1906) e Émile Zola (1840-1902). Tendo estado ligado ao Teatro Nacional D. Maria II, teve imenso sucesso  em Portugal e no Brasil, aposentando-se em 1931. Em 1926 tinha assistido à inauguração de um teatro com o seu nome, projectado por Ernesto Korrodi (1870-1944) muitos anos antes, no Sítio da Nazaré. (Consulte um breve texto sobre o edifício em http://www.cm-nazare.pt/espacos/chaby.htm.)

 

   Da sua influente imagem no teatro português do início do século XX ficaram registos que se podem consultar na imprensa da época, bem como na obra póstuma Memórias de Chaby, publicada por Tomaz Ribeiro Colaço e Raúl dos Santos Braga em 1938.

 

Caricatura de Chaby Pinheiro por Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920).

 

   Da sua vida e da sua relação com amigos e actores ficaram ainda registados diversos episódios pitorescos, como este que se transcreve da obra de Beatriz Costa (1907-1996), Eles e Eu (1990):

 

   "O grande actor Chaby Pinheiro tinha uma especial admiração por Ângela Pinto, que foi a maior artista da sua época. Ângela, sempre que se referia a Chaby, chamava-lhe o «cara de cu». Um dia o  grande artista chamou-a e fez-lhe sentir a vulgaridade do seu vocabulário: «Ângela, tu és uma artista amada e respeitada pelo povo, não o podes desiludir com as tuas irreverências. Acaba com essa brincadeira de, em pleno Chiado, de um passeio contrário, dares um grito: 'Adeus ó cara de cu...' » Ângela, que era humilde, como o devem ser todos os famosos, ouviu e passou a respeitar o seu mais que ilustre colega. Um dia ao passar no Rossio viu Chaby numa esplanada a chupar uma carapinhada por uma palhinha cor-de-rosa... Olhou e não aguentou aquele espírito extraordinário, que foi só dela, numa gargalhada, para que ele ouvisse, atirou com esta: «... a tomar o seu semicupiosinho!...»  Sobre a Ângela Pinto existem centenas de respostas e anedotas. Não creio que tudo seja autêntico..."

 

 

Dedicatória do poeta brasileiro Olegário Mariano (1889-1958) a Chaby Pinheiro.

 

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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

Sem Comentários - Chaby Pinheiro

 

(Autor não identificado, provavelmente Pedro Cid),

Aventuras do Actor Chaby [no Brasil]

Jornal O Vira, n.º 3, Lisboa, 15 de Março de 1906.

 

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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007

Sem Comentários - Serafim e Malacueco

 

Percy Cocking (Percival James Cocking, 1881-1964), Aventuras de Serafim e Malacueco (título original em Inglês: Weary Willie and Tired Tim). Esta série foi originalmente criada por Tom Browne (Thomas Arthur Browne, 1870-1910), que a desenhou entre 1896 e 1909. Percy Cocking continuou-a entre 1909 e 1953.   

O Mosquito, n.º 630, Lisboa, 7 de Julho de 1945.

 

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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Macau, 1936 (Prólogo)

  

Port Saïd, 1936

 

   Era uma longa viagem por mar. Quase dois meses, de Lisboa a Macau. Mais de duas semanas, de Port Saïd a Singapura.  E agora tinha o anúncio da KLM, ali, a tentá-lo. Antes tivesse apanhado o avião. Fazia escala mesmo ao lado, no Caïro, seguindo logo após para Gaza, Bagdad, Karachi e Bangkok. Ainda poderia apanhá-lo... Mas depois teria de descer em Palembang ou Batavia para apanhar novamente o barco... Não, seria melhor continuar no Sibajak. Um navio cómodo, construído oito anos antes, remodelado havia poucos meses. Além disso, vinha quase lotado desde Roterdão e os portugueses eram poucos. Disfrutava, assim, de uma presença discreta, quase anónima. Situação muito do seu agrado.

   Os pensamentos ocupavam-se já de outros assuntos. Amigos que se afastavam ou desapareciam. No ano anterior, em Julho, soubera que o Miguéis partira para Nova Iorque, sem intenções de voltar. Agora, a carta. Recebida na posta restante do porto, escrita por um miúdo que lhe era quase desconhecido, o Saramago, a quem haviam pedido para lhe dizer que o Ricardo Reis falecera. Desiludido com a república, perdidas as esperanças de reimplantação da monarquia, passara mais de quinze anos exilado no Brasil. Mas voltara. Voltara a Lisboa para morrer pouco tempo depois, vivendo aqueles últimos nove meses como um fantasma. Apesar da sua obsessão por Marcenda e da sua ligação com Lídia, não esquecera, nunca, a sua antiga paixão. Lídia. A outra Lídia. A verdadeira. A que ele havia criado e acarinhado. Acabara, assim, por viver um presente imerso no passado.

   Lembrou-se depois das alarmantes notícias sobre Marrocos e o levantamento Franquista que alastrara à Península... Mas a situação não seria menos complicada na China e nas vizinhanças de Macau. Bem a norte, consolidava-se a invasão da Manchúria, perpetrada cinco anos antes, e o governo-fantoche de Manchukuo que os japoneses aí tinham instalado. Mais próximo de Macau, desenvolviam-se confrontos entre nacionalistas e comunistas, os quais haviam feito anteriormente uma ocupação sangrenta de Cantão. A ocupação durara poucos dias, mas a insurreição continuara.

   Sentiu-se preocupado. Sabia que, uma vez em Macau, iria inevitavelmente sentir as consequências destes conflitos. 

   Da família que deixara para trás, mulher e cinco filhos, poucas lembranças e nenhumas preocupações...

 

MS Sibajak

 

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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Impressões do Outro Lado

 

Tanya Zaryski

Jarra em Vidro The Blue Vase (2001)

 

Em pleno caroço de Manhattan, dá-me a grata impressão de estar do outro lado. (Queremos sempre estar do “outro lado”...)                                    J. R. Miguéis

 

   Regresso a Chaves durante breves dias. E a cidade, que parece não mudar, está diferente. A diferença destaca-se nitidamente das memórias que conservo. A memória destas gentes, dos seus afectos, dos seus desejos. A memória do meu passado. A memória da cidade que foi. E quão diferente, de facto, está esta cidade.

   Olhando-me todos os dias ao espelho, não me vejo mudar. Aqui, contudo, tenho consciência das transformações e da passagem, efectiva e inexorável, do tempo. Por cada ruga no rosto dos amigos, por cada branca no cabelo dos conhecidos, por cada ausência de rostos e lugares que já não voltam. Então compreendo como o tempo passou, como essas rugas, essas brancas, essas ausências anunciadas, fazem parte da minha existência. Aqui e agora.

   Recordo Viana, Porto, Évora, Lisboa, Toronto, Nova Iorque. Cidades onde vivi anos e anos. Onde tenho amigos. Onde fui deixando afectos. Onde me revejo. Mas para ver a minha imagem reflectida, integralmente, preciso de Chaves. É aqui que compreendo a vida como um contínuo, como um conjunto de ciclos que se alternam, mas que têm um centro comum. E sinto palavras de há vinte anos como se as tivesse acabado de escrever...

   Cidade. Recordação enevoada de uma infância quase esquecida, perdida já entre as velhas casas e a desguarnecida muralha da vida. Breves instantes de atemporalidade, em que voltamos a chutar a bola de trapos no terreiro da Lapa, ou a ler as espantosas e mirabolantes aventuras de Serafim e Malacueco num estreito e gasto passeio da rua de Santa Maria. Afirmação nítida do nosso carinho por esta terra e por estas gentes, qual carícia maternal que nos traz aconchego e protecção. Consolo inesgotável do inverno que inevitavelmente envolve o nosso ser.

 

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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Autógrafos - Maria Ondina Braga

 

Maria Ondina Braga, Nocturno em Macau (1991).

 

 

Maria Ondina Braga (1932-2003).

   Com longas estadias no Oriente, Maria Ondina Braga dá seguimento a uma tradição do imaginário asiático na literatura portuguesa do início do século XX, exemplificada por autores como Wenceslau de Moraes (1854-1929), o qual, depois de ter vivido alguns anos em Macau, se radicou inicialmente em Kobe e posteriormente em Tokushima, no Japão, e Camilo Pessanha (1867-1926), que viveu durante muitos anos em Macau.

 

   Habitualmente conotada com espaços de acção orientais, a sua obra começou com um livro de crónicas, Eu Vim Para Ver a Terra (1965), sendo Estátua de Sal (1969) e Nocturno em Macau dois dos seus títulos mais conhecidos. Foi, no entanto, com o livro de contos Amor e Morte (1970) que recebeu o prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa. As suas crónicas sobre Angola em Eu Vim para Ver a Terra são pedaços magníficos de prosa ritmada, leve, deslumbrada e cheia de alegria. Contrastando no mesmo volume, curiosamente, com as imagens sombrias e repassadas de desânimo das primeiras crónicas sobre Macau. Cidade que, paradoxalmente, parece ter causado na autora um impacto inicial pouco entusiasmante. A narrativa desenvolta e cativante de Estátua de Sal retrata-nos de forma sincopadamente fascinante  a experiência da autora em Inglaterra e Macau, entretecida com as suas memórias da infância e adolescência em Braga, sua terra natal.

 

   De Nocturno em Macau, uma obra publicada nos anos  noventa mas que reflecte uma vivência dos anos sessenta (de acordo com a narradora, a acção passa-se no ano do Cavalo, do calendário chinês, ano correspondente a 1966) transcreve-se abaixo um dos parágrafos iniciais:

 

   "Veio Ester a desencantá-la a um canto do claustro mergulhada na releitura da carta. Andava à sua procura, já sei que teve notícias. E, sem mais nem menos, um par de braços a cingi-la, uma cabeça pousando-lhe no ombro. Por instantes supôs, Ester, que a amiga chorava, mas não, antes ria. Se fôssemos amanhã lanchar fora? Que diz? Pois então! Faz anos amanhã? Não, é que ainda não conhecia os restaurantes chineses. Um cochicho a sua voz. Aquele corpo colado ao dela e convulso. Desapertando a blusa, guardava a carta no seio, distraída, metade do seio à mostra. Ao saírem, contudo, para a luz directa do jardim, como se despertasse, Dhora: Por favor não fale nisto a ninguém. Terra de mexericos, Macau, a sua senhoria a toda a hora xe-xe-xe. E uma carta sempre era uma carta, um compromisso. Ester sossegou-a: Sou um túmulo. Mas... e a irmã Trinidad? Ah, essa já falara com ela, já lhe prometera segredo. Enfiava-lhe o braço: Onde vamos? Ao Lago-de-Jade, por exemplo, tem muito bom chá. Combinado o encontro à porta do Correio Geral, a goesa apertou os lábios com as pontas dos dedos, o sobrolho arqueado. Ester a pensar no segredo de polichinelo da da portaria. Como se estivesse a ouvi-la. Ah, pobrecita de la maestra indiana!... Meses a fio à espera da carta, la maestra. Não era bem freira, Trinidad, apenas irmã conversa e por acaso grande conversadeira. Ao receber a carta até a beijara, la maestra! Gabando-se, a porteira, de haver contribuído para o milagre as suas rezas, os seus rogos, o responso que tinha rezado a Santo Expedito."

 

 

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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

Tommy

 

Um minuto! Um minuto? Segundos... apenas alguns segundos e aquele rapaz passara-lhe à frente. Teria agora que esperar na fila até que ele se despachasse, no multibanco. A única caixa multibanco das redondezas. O rapaz lá se aproximou do teclado e começou a digitar códigos. Estranho... Apenas digitara uma vez... E agora, agora pressionava os botões, freneticamente, fazendo estranhíssimos movimentos com os braços enquanto dobrava as pernas, levantando-as e baixando-as a um ritmo esquisito! Parecia até que julgava que a máquina tinha botões laterais... Ganzado! Só podia... Mais um! Mas nunca mais se despachava... seria que afinal também estava a pagar contas, a fazer transferências ou a comprar bilhetes? A sua impaciência crescia, bem como a fila atrás de si... passou a olhar nervosamente para o relógio... já deviam ter decorrido uns bons minutos. As pessoas na fila agitavam-se, começando a esboçar protestos... "Merda! Perdi...", ouviu, enquanto via os punhos do rapaz a baterem na máquina... Perdi?! O miúdo está mesmo mal... Depois de ele se afastar, dirigiu-se finalmente para o teclado. Era a sua vez... e já não era sem tempo. Perdi?, pensou ainda, Coisa esquisita! Olhou então para o ecran. Estranho, muito estranho! Devia ser avaria... Piscando, a brilhar, uma frase repetia-se interminavelmente: GAME OVER!... game over!... GAME OVER!... game over!...

 

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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

Chic? Só o Bristol Club.

Porta do Bristol Club.

Rua do Jardim do Regedor, n.º 9, Lisboa.

 

Isso mesmo, no prédio que há décadas ostenta o emblema do Benfica. Há mais décadas ainda, nos anos vinte, Lisboa teve um surto de luxuosos night clubs, todos vizinhos, todos diferentes. Junto do Bristol Club, logo do outro lado da rua, o Club Monumental, no edifício onde hoje está instalada a Casa do Alentejo. O Maxim's ficava também ao virar da esquina, no Palácio Foz, aos Restauradores. Uma dezena de outros clubs mais, complementava a oferta de diversão nocturna na cidade. Mas o Bristol era diferente... diferente na publicidade, diferente no design gráfico da publicidade, diferente na decoração modernista do próprio club. Jorge Barradas e Emmérico Nunes (1888-1968) produziram as famosas capas promocionais para a revista ABC, em 1927. Almada Negreiros (1893-1970) e Eduardo Viana (1881-1967) tinham os seus quadros expostos nos salões do club e muitos outros modernistas haviam contribuído para baixos-relevos, esculturas e peças de artes decorativas. Juntamente com a Brasileira do Chiado, o Bristol Club era o orgulhoso porta-estandarte dos modernistas na década de 1920.

 

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