Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

Sem Comentários - Bristol Club por Jorge Barradas

Jorge Barradas (1894-1971)

Capa para a revista ABC, 1927.

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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Sem Comentários - Bristol Club por Jorge Barradas

Jorge Barradas (1894-1971)

Capa para a revista ABC, 1927.

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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Jorge de Sena - A Regra e a Excepção

Jorge de Sena (1919-1978),

Dedicácias (publicação póstuma, 1999).

 

   Impressões do Outro Lado: "...a [obra] de Sena me surge, mesmo na poesia, como obra fundamentalmente racional." Ocorrem excepções, claro, onde o racional se conjuga com o emocional - Dedicácias. Para que não hajam dúvidas, transcreve-se um dos poemas dessa obra. E se pensam que este texto é extremamente escandaloso e chocante, desenganem-se. Surgem outros poemas no livro que bem rivalizam com a Poesia Erótica, Satírica & Burlesca de um senhor chamado Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), para já não mencionar a obra de um Pietro Aretino (1492-1556).

   Dedicácias: a não perder!

 

"Sua Putidade o Crimertídaco

Esse filho de quem nem pode chamar-se bem uma puta,

persegue-me, arranha-me, arrepela-me, cospe

sempre ao meu lado, e nos lugares aonde

julga que eu passei. Filho como é,

do que nem pode chamar-se bem

uma puta, vive de cuspir, de arrepelar

de arranhar, de perseguir as sombras

que ele julga serem as de quem não passa

onde a mãe o deu à luz,

depois de untada a vida com lubrificante

que lhe ficou, brilhantina, agarrado ao cabelo,

e a mãe, logo que o viu, lhe calçou

meias verdes e lhe comeu o imbigo [sic].

Filho do que, de puta, nem por prenha basta

para gerar um esterco assim tão penteado,

tão crítico, tão de meias verdes,

tão arrotantemente porco nas regueifas que

do cachaço ascendem ao tutano encefálico,

julga suinamente que não há lugares,

nem seres humanos, livres da presença

de Sua Putidade. Há.

Exactamente as pessoas e os lugares aonde

ser filho da puta é ser filho da puta,

com ou sem regueifas nas ideias

ou verdura nas meias,

ou brilhantina uterina

de quem lambido foi em sua mãe

antes de nascer para cri-mer-tí-da-co.

 

3 de Agosto de 1962"

 

   ...E se pensam, novamente, que as críticas são apenas cobardemente vagas e anónimas, desenganem-se uma vez mais! Vitorino Nemésio é claramente identificado e criticado (desancado!...) nas Dedicácias, bem como Hernâni Cidade, Fidelino de Figueiredo, Álvaro Pimpão, Paulo Quintela, João Gaspar Simões, Mário Cesariny de Vasconcelos (nem queiram saber!...) e outros, muitos outros, mais ou menos identificáveis... Um autor transmontano também por lá aparece...

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Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

Impressões do Outro Lado

José Rodrigues Miguéis, Léah e Outras Histórias (1958).

Capa de Bernardo Marques (1898-1962)

 

Em pleno caroço de Manhattan, dá-me a grata impressão de estar do outro lado. (Queremos sempre estar do “outro lado”...)                                    J. R. Miguéis

 

   Nunca tinha ido ao Alto de Santa Catarina. Aliás, ignorava mesmo que tal lugar existisse. Contudo, o espaço ficcional que Saramago concebeu nesse excelente romance que é O Ano da Morte de Ricardo Reis, desenvolveu em mim a necessidade pessoal e profissional de conhecer aquele recanto de Lisboa. O seu fascínio e valor simbólico não só constituem elementos essenciais do texto, como têm vindo a originar um singular roteiro onde a ficção se confunde com a realidade e que, a partir do Cais do Sodré, vem sendo apaixonadamente reconstituído e visitado pelos admiradores da obra.

   Foi assim que, um dia, decidi encaminhar-me até esse miradouro desencantado por Saramago (deveria antes dizer, encantado...), depois de ritualmente ter subido as Escadinhas do Duque. Uma vez mais, queria enganar a saudade com a imagem da Lisboa que se vê desde esse outro miradouro, o de S. Pedro de Alcântara.

   Era ainda primavera, mas o calor fazia-se já sentir como nos sufocantes dias de verão. Sob o desnecessário pretexto de  me refrescar e descansar, fiz aquilo que sempre faço quando por ali me encontro, seja qual for a época do ano, faça o tempo que fizer – demoradas visitas aos alfarrabistas que se estendem desde a D. Pedro V até à Calçada do Combro.

   Naquele dia sentia, também, a premente necessidade de, pelo menos, adquirir uma primeira edição de qualquer um dos livros de José Rodrigues Miguéis, um escritor que redescobri após a minha saída de Portugal. Autor de uma obra cujo valor e significado profundo apenas apreendi plenamente graças à distância e ao sentir de expatriado.

   Não deixo de achar curioso que dois dos maiores vultos da literatura portuguesa do século XX – Jorge de Sena e Miguéis, tenham vivido parte da sua atribulada existência nos Estados Unidos. Comparando-os, embora não menospreze a importante e volumosa obra de Sena (de entre a qual recordo, com afecto e amargura, a narrativa Os Salteadores que Abi Feijó adaptou para o cinema de animação e cuja acção decorre, também, em Chaves), sinto-me mais próximo da obra de Miguéis, que considero mais emocional, enquanto a de Sena me surge, mesmo na poesia, como obra fundamentalmente racional.

   Foi com todo este afecto, pois, que me acerquei do alfarrabista da Calçada do Combro, ali mesmo onde o elevador da Bica chega ao cimo.

  O dia compunha-se: uma primeira edição de Léah e uma segunda de Páscoa Feliz.      

   Satisfeito, saí e encaminhei-me para o tão ansiado Alto de Santa Catarina, quase ao virar de uma esquina, já próxima. Não resisti, porém, a folhear mais uma vez os volumes que tinha acabado de adquirir e parei, mesmo no meio do passeio. Uma velha caneta, de estimação, caíu-me das mãos. E mal tinha tido tempo de me baixar quando, por trás de mim, uma mão mais ágil me estendeu a caneta. Um sorridente rosto feminino estava agora à minha frente e pude ouvir: “Está intacta, não se preocupe. Pena é que utilize uma preciosidade destas no dia-a-dia...” Sorri, também, agradecendo o cuidado, não sem que me divertisse a inversão de papéis num tradicional acto de galanteio.

   Apressei-me, então, até à travessa que segue para o Alto de Santa Catarina e estaquei no seu enfiamento, antecipando, uma vez mais, o resultado do confronto entre a realidade e o espaço ficcionalmente vivido e longamente imaginado.

    “Desculpe”, ouvi, de novo, a mesma voz feminina, “não pude deixar de reparar que leva consigo uma primeira edição de Léah, provavelmente acabada de comprar ali atrás. É bibliófilo, ou gosta muito de Miguéis?” As duas coisas, pensei, mas não tive tempo de responder, pois ela continuou: “Eu gosto muito de Miguéis... considero-o, até, um dos homens da minha vida...” Dirigia-me, ao mesmo tempo, um olhar profundo, frontal e inquiridor. A ambiguidade intencional daquela frase entrecortada não escondia a insinuação. Ela olhava-me ainda, firmemente, apreciando talvez o efeito da ousadia. Eu, que havia instantes me divertira com a galanteria da caneta, sentia-me agora embaraçado, conseguindo apenas balbuciar: “Ah... Pois... Sim, é uma excelente escolha...”, enquanto tentava olhar para o relógio, que nem sequer trazia no pulso. “Está com pressa, não o retenho mais, desculpe”, foi o que ouvi como despedida. “Idiota, idiota, mil vezes idiota”, pensei para comigo. Mas já era tarde.

   Escusado será dizer que naquele dia já não tive disposição para ir ao Alto de Santa Catarina...

    E nunca, até hoje, fui ao Alto de Santa Catarina.

   Agora, sempre que sigo para aqueles lados, vou sobraçando uma edição antiga de um qualquer escritor e passo tempos infindos a subir e a descer a Calçada do Combro...

 

 

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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

Máquina do Tempo

Photo © gin_able Gina

 

   Voltar atrás e reconstruir um passado que nunca aconteceu. Programar o futuro e sobreviver virtualmente à morte. Viver num mundo virtual... sem passado nem futuro, onde apenas o presente existe. Um presente eternamente presente. Um presente que se construiu ontem, ou se vai construir ainda amanhã... Como este post de hoje, que foi criado depois de amanhã...

 

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Autógrafos - António Botto

António Botto, Canções (1932).

Capa de Fred Kradolfer (1903-1968)

 

António Botto (1897-1959).

   Poeta marginal e marginalizado, em parte pela frontalidade com que assumiu a sua homossexualidade, Botto viu a primeira edição de Canções ser publicada no início da década de 1920 pela Olisipo, a efémera editora criada por Fernando Pessoa (1888-1935). Pessoa e José Régio (1901-1969), aliás, foram dois admiradores confessos da obra de Botto, tendo elaborado estudos sobre a mesma. Poeta contemporâneo do primeiro Modernismo e do movimento Orpheu, Botto desenvolveu sempre uma modernidade autónoma, criando um espaço literário peculiar que de modo algum assenta exclusivamente no declarado e óbvio conteúdo homoerótico de muitos dos seus poemas. A actualidade e modernidade da sua poesia ainda hoje são características evidentes para o leitor contemporâneo. Tendo-se auto-exilado no Brasil em 1947, aí acabou por falecer, atropelado. As suas obras mais conhecidas serão, eventualmente, As Canções de António Botto (edição completa, 1941), na poesia, e Os Contos de António Botto, para Crianças e Adultos (1942), na prosa.

   Um pequeno excerto de uma canção de António Botto, lido por José Rodrigues Miguéis (1901-1980) e gravado para a Smithsonian Institution, pode ser ouvido em:

 http://www.smithsonianglobalsound.org/trackdetail.aspx?itemid=31889

   Da edição de 1932 do volume Canções transcrevem-se abaixo três poemas, respeitando-se a grafia original.

 

Livro Terceiro, Piquenas Esculturas - Segundo Poema

Erguem-se vozes.

O clamôr, a barafunda

Vae avultando

No silencio da senzála.

E o batuque principia...

Ei-los,

- São quatro tentações de maravilha!

Bronzes

Da mais bela estatuária romana.

E o batúque

Principia

Depois de cobrirem o sexo

Com folhas de bananeira.

O luár cahe, muito quente, gorduroso,

Na areia que escalda...

Ó tropical e excitante bebedeira!

E bailam -

Cantando

Uma lenta melopeia de bruxêdo,

- Só duas notas - diabólica, tristonha.

Um,

Com olhos de prisioneiro amoroso

E dextreza de gentil gladiador,

Não me larga - olha sempre!

E a sua bôca

Entreaberta num sorriso,

Parece um fructo de lúme

Com bagos de prata.

Aos quadris

Atáram guizos,

Ferraduras, e chocalhos,

Moédas, raizes,

Ramarias em flôr,

Manipanços,

E contas de velho marfim doirado.

E o batúque não acaba...

Cáio na areia cansado...

 

Livro Terceiro, Piquenas Esculturas - Décimo Primeiro Poema

Acabemos.

E acabemos para sempre.

Continuar, para quê?

Nem uma palavra amiga,

Nem um sorriso,

Nada

Que dê conforto ou prazer...

Não, acabemos...

Ou acabar..., - ou morrer.

 

Livro Quarto, Olympiadas - Poema Segundo

Eil-a!...

Tu..., avança! - Lá váe ela!

Corre!...

- Atira-te com alma!...

Defende-a... - vamos!, - então?

E a bola, ao entrar nas redes,

Suspendeu a alegria muscular

E a juvenil vibração.

Estoiram as aclamações;

E a luz do sol enfraquece.

Mas, o jogo, novamente principia:

Os "vermelhos"

Vão envolvendo os "leões";

E o ataque

Bem marcado,

Vae revelando a victoria

Que, - desenhada e conduzida

Com rasgos da mais limpida nobreza

Atinge o seu maximo valôr:

- A bóla, rapida, cahe,

Passando

Por entre os braços erguidos

Do garboso jogador.

Palmas, delírio, - grandeza!

Alguem atira uma rosa

Para os "onze" vencedores.

E ao longe o sol agonisa

Numa bohemia de côres.

 

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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

Ema Berta

 

Ema Berta (1944), Sem Título (1985).

 

   Ema Berta. Certamente, uma das mais importantes pintoras portuguesas contemporâneas. Exilada e esquecida em Paris, com uma obra largamente ignorada e desdenhada pela crítica e pelo establishment, em Portugal. Uma obra que exala angústias e sofrimentos como nenhuma outra no nosso país. O sofrimento e a catarse, aliás, são a praxis da pintora, pelo que o neo-figurativismo expressionista nos surge na sua forma mais hierática e na sua mais profunda significação. Quando chegará a epifania e a consagração da sua obra?

   Vejam-se alguns dos seus trabalhos em www.emaberta.com.

 

 

Ema Berta, Le Déjeneur sur l'Herbe (Data desconhecida).

 

© Blog da Rua Nove

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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Desejo

Photo © Jerry Ting

 

Surge a luz. Terra manchada por leves tons verdes deixa-se encobrir pela lenta passagem de uma neblina quase dissipada, memória da noite que se afasta. Curtos sons soltam-se de formas imprecisas, ocultas entre a folhagem, enquanto frágeis ervas se começam a agitar com a passagem das criaturas que habitam o bosque. É tempo. O movimento deve iniciar-se. Tão irresistível é o desejo que parece algo de mágico. Os olhos fixam as cores e ganham consciência. Dos limites. Mas há linhas que se misturam e cores que se sobrepõem, criando a arte da vertigem e alimentando o instinto. Infinito. É essa a sensação que brota da vida, origem quase louca de todo o mistério iniciado com um simples agitar de asas e alguns desajeitados movimentos.

  

Vai. Experimenta o desafio e alcança aquela longínqua mancha, dourada, quente, acariciadora. Sim. Vai. Oferece ao passado o aconchego desse lugar tentador, pleno de memórias, e vê como um outro mundo fica lá embaixo, caindo no esquecimento. Sente agora toda a essência dos elementos... Árvores dispersas pela grande superfície castanha de terrenos alinhados. Verdes eternamente impressionantes. Fugidias bolsas de cereal amarelo, maduro, pintalgadas de pequenos seres em constante movimento. Por cima, o azul infindo, que desce até aos vales para se transformar em surpreendentes fios azul-esverdeados. Decoração delicada de uma paisagem que apela continuamente ao regresso à terra. Em vão. As sensações são já plenas de brilho e fulgor, inebriantes, acentuadas pela brisa alterosa que envolve um corpo fremente e ansioso, procurando a promessa do desconhecido.

 

© Blog da Rua Nove 

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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

No Comments - Madonna by David Lachapelle

 

David Lachapelle

Madonna with Sacred Heart (1998)

Photo © by the author

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Sábado, 10 de Fevereiro de 2007

No Comments - Cher by David Lachapelle

 

David Lachapelle

Cher and Pretty Pony (1996)

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