Sexta-feira, 23 de Março de 2007

La Cenerentola, Cinderella, A Gata Borralheira

            

 

La Cenerentola. Cinderela ou A Gata Borralheira. Uma pequena jóia da bibliofilia musical portuguesa. Primeira edição bilingue, em Português e Italiano, do libretto escrito por Jacopo Ferretti para a ópera de Gioacchino Rossini (1792-1868). Estreada em Roma em 1817, a ópera foi apresentada em Lisboa, no Real Teatro de S. Carlos, em 1819. Em Londres apenas se apresentaria no ano seguinte, em Viena em 1822 e em Nova Iorque em 1826.

 

O Real Teatro de S. Carlos havia sido inaugurado a 30 de Junho de 1793 (consultar http://www.saocarlos.pt/), para suprir o desaparecimento da Ópera do Tejo, criada em 1755 e destruída nesse mesmo ano durante o terramoto de 1 de Novembro.

 

 

Em Lisboa, João Maria Decapitani desempenhou o papel de D. Ramiro, Natal Veglia o de Dandini, Fabricio Piacentini o de D. Magnifico, Theresa Zappucci o de Clorinda, Josefa Franconi o de Tisbes, Judith Favini o de Angelina (La Cenerentola) e Angelo Ferri o de Alidoro. O maestro foi José António Gomes Pinzetti, sendo poeta do teatro Filippe Hilbrath. O pintor do Real Teatro de S. Carlos, João Riccardi, elaborou a decoração da primeira cena.

 

             

 

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Gothic Blues

Photo © acastellano

 

Yes. Blue.

Blue for everyone. Blue everywhere.

(Otherwise, how will we rejoice with the Yellow Submarine?)

Yes. Rose windows, gothic arches, high ceilings. All made out of  blue.

Ruins of blue...

 

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A Arte Gráfica em Portugal - Século XX

 

Júlio Pomar (n. 1926)

Capa para Terra com Sede (1946), de Papiniano Carlos (n. 1918).

 

 

Capa e desenhos para O Mundo Desabitado (1960), de José Gomes Ferreira (1900-1985).

 

           

 

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Quinta-feira, 22 de Março de 2007

Mariko

Photo © cerealpkt

 

   No, Mariko. Deckard is no longer after you. Even though you still look like a replicant. Pris' replicant. Set your crystal ball aside, now. Stop acting, sorceress. The fools are gone. Stop quoting Roy Batty. Stop echoing his memory. Stop uttering his words. "All these moments will be lost in time, like tears in rain." You know it. We know it. Our virtual universe is eternal.

 

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Caption

http://www.flickr.com/photos/s-a-m/

Photo © Samantha C.

 

     Um azul cibernético. A leveza da face derretendo o duro metal. Suaves linhas curvas diluindo os ângulos. Luz escapando das sombras. Um mergulho noutro universo. Ondas concêntricas.

 

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Legenda

http://www.flickr.com/photos/s-a-m/

Photo © Samantha C.

 

   A cybernetic blue. The lightness of the face melting the heavy metal. Soft curved lines diluting the angles. Light escaping from the shadows. A dive into another universe. Concentric waves.

 

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Quarta-feira, 21 de Março de 2007

Autógrafos - Manuel Mendes

Manuel Mendes, Terceiro Livro do Bairro (1960).

Capa de João Abel Manta (n. 1928)

 

 

Manuel Mendes (1906-1969).

   Manuel Mendes foi essencialmente crítico de literatura e arte, tendo publicado biografias de vários artistas. A sua produção literária, que engloba contos e romances, está particularmente marcada pela trilogia Bairro, iniciada em 1945 com o livro homónimo e concluída em 1960. Este conjunto de textos, vagueando entre a ficção, a memória e a crónica, aproxima o autor do neo-realismo e sublinha o seu interesse em perscrutar e registar aspectos da vida urbana e dos detalhes da vida de bairro. Curiosamente, através de uma memória da adolescência e juventude ligada aos bairros tradicionais de Lisboa, já que o autor passou a habitar nos bairros novos da zona do Restelo a partir de meados do século. Este seu registo urbano de Lisboa tem um certo paralelismo com a obra do pintor Carlos Botelho (1899-1982), o qual ilustrou a capa do segundo volume da trilogia.

   Entre 1927 e 1940, Manuel Mendes manteve correspondência com o escritor, e antigo presidente da República, Manuel Teixeira Gomes (1860-1941). Tendo renunciado à presidência em Dezembro de 1925, Teixeira Gomes exilou-se voluntariamente nesse mesmo mês, inicialmente em Tunis, na Tunísia, e posteriormente em Bejaïa (Bougie), na Argélia, onde veio a falecer.

   Grande parte do espólio de Manuel Mendes encontra-se depositado nos arquivos da Fundação Mário Soares, em Lisboa (http://www.fundacao-mario-soares.pt/).

   Da crónica "São Miguel de Seide", publicada no volume Terceiro Livro do Bairro, transcrevem-se os dois parágrafos iniciais:

 

   "Volto à casa de Camilo, em São Miguel de Seide. Sempre que passo por estas bandas - vá a Famalicão, ou vá a Guimarães -, não resisto à habitual visita, a esta devota caminhada de romeiro. O lugar atrai-me, exerce sobre mim, irresistivelmente, o mesmo estranho poder de fascinação, e gosto de ficar aqui o meu bocado pasmado, a cismar no drama terrível deste homem e no acto alucinado em que acabou, com o crâneo vasado por uma bala. Em minha imaginação figuro tudo, desde o levantar, até ao cair do pano.

   É uma cova tristonha, entre pinhais, que no Inverno se enche de sombras - nesses Invernos caliginosos do Minho, em que a humidade repassa o granito e regela os corpos transidos. Dir-se-ia que continuamente chove do céu e chove da terra, numa poeira fina e densa de água que tudo envolve e torna os montes e os milheirais verdejantes, cobre de musgo as pedras, empapa a terra dos caminhos. Neste lugar, porém, o que abunda é o verde sombrio dos pinheiros, que quando o vento os agita rumorejam e parece que gemem pela noite fora. Na solidão e no silêncio, este desterro sombrio infunde respeito, inspira não se sabe que instintivo medo."

 

Manuel Mendes, Segundo Livro do Bairro (1958)

Capa de Carlos Botelho (1899-1982)

 

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A Arte Gráfica em Portugal - Século XX

 

Jorge Barradas (1894-1971)

Capa e vinheta para Da Costela de Adão (1921), de Georgeanto d'Avellar.

 

 

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Terça-feira, 20 de Março de 2007

Lord Byron - Uma carta de Portugal

Cork Convent, near Cintra (1840s).

Drawn by C. Stanfield, from a sketch by Capt. Elliot. Engraved by E. Finden.

 

   É bem conhecido o enlevo que o autor inglês Lord Byron (George Gordon Noel, 1788-1824), nutria pela região de Sintra. Os dois versos "...Lo! Cintra's glorious eden intervenes / In variegated maze of mount and glen..." (canto I, estrofe XVIII), do seu extenso poema Childe Harold's Pilgrimage (1812-1818), são frequentemente citados para ilustrar este aspecto. No entanto, o seu desdém pelos portugueses, evidente ao longo das estrofes XIV a XXXIII do mesmo canto e frequentemente referido na sua correspondência, tem sido esquecido, com excepção de algumas diatribes académicas, velhas de muitas décadas.

   A carta que se transcreve documenta eloquentemente os dois aspectos acima referidos - o elogio explícito de Sintra e a crítica  irónica aos portugueses:

 

   [Ao Sr. Hodgson]

                                                                     "Lisboa, 16 de Julho de 1809."

 

   "Até ao momento temos seguido a nossa rota, e visto todo o tipo de panorâmicas maravilhosas, palácios, conventos, &c., - o que, estando para ser contado na próxima obra, Book of Travels, do meu amigo Hobhouse, eu não anteciparei transmitindo-lhe qualquer relato de uma maneira privada e clandestina. Devo apenas observar que a vila de Cintra, na Estremadura, é talvez a mais bela do mundo.

   Sinto-me muito feliz aqui, porque adoro laranjas, e falo um latim macarrónico com os monges, que o compreendem, uma vez que é como o deles, - e frequento a sociedade (com as minhas pistolas de bolso), e nado ao longo do Tejo, e monto em burros ou mulas, e digo palavrões em Português, e sou mordido pelos mosquitos. Mas quê? Aqueles que efectuam digressões não devem esperar conforto.

   Quando os portugueses são pertinazes, eu digo 'Carracho!' - a grande praga dos fidalgos, que muito bem ocupa o lugar de 'Damme!' - e quando fico aborrecido com o meu vizinho declaro-o 'Ambra di merdo' [por 'Homem de merda' ?]. Com estas duas frases, e uma terceira, 'Avra bouro' [por 'Arre burro' ?], que significa 'Get an ass' ['Arranja um burro' ...!?!, obviamente uma tradução incorrecta.], sou universalmente reconhecido como pessoa de categoria e mestre em línguas. Quão alegremente vivemos sendo viajantes! - se tivermos comida e vestuário. Mas, em sóbria tristeza, qualquer coisa é melhor do que Inglaterra e eu estou infinitamente divertido com a minha peregrinação, até ao momento.

    Amanhã começaremos a percorrer cerca de 400 milhas até Gibraltar, onde embarcaremos para Melita [por 'Melilla' ?] e Bizâncio. Uma carta para Malta aí me encontrará, ou será reexpedida caso eu esteja ausente. Rogo-te que abraces o Drury e o Dwyer, e todos os Efésios que encontres. Escrevo com o lápis que me foi dado pelo Butler, o que torna o mau estado da minha [escrita?] mão ainda pior. Perdoa a ilegibilidade.

   Hodgson! Envia-me as novidades, e as mortes e as derrotas e crimes capitais e as desgraças dos amigos; e dá-nos conta das questões literárias, e das controvérsias e das críticas. Tudo isto será agradável - 'Suave mari magno, &c.'. A propósito, tenho andado enjoado e farto do mar. Adieu."

 

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Lord Byron - A Letter from Portugal

Convent of La Pena [Cintra] (1832)

Drawn by Lieut. Col. Batty, engraved by E. Finden

 

[To Mr. Hodgson]

                                                                                   " Lisbon, 16 July, 1809."

   "Thus far have we pursued our route, and seen all sorts of marvelous sights, palaces, convents, &c., - which, being to be heard in my friend Hobhouse's forthcoming Book of Travels, I shall not anticipate by smuggling any account whatsoever to you in a private and clandestine manner. I must just observe, that the village of Cintra in Estremadura is the most beautiful, perhaps, in the world.

   I am very happy here, because I loves oranges, and talks bad Latin to the monks, who understand it, as it is like their own, - and I goes into society (with my pocket pistols), and I swims in the Tagus all across at once, and I rides on an ass or mule, and swears Portuguese, and have got bites from the mosquitoes. But what of that? Comfort must not be expected by folks that go a-pleasuring.

   When the Portuguese are pertinacious, I say 'Carracho!' - the great oath of the grandees, that very well supplies the place of 'Damme!' - and when dissatisfied with my neighbour, I pronounce him 'Ambra di merdo' [for Homem de merda ?]. With these two phrases, and a third, 'Avra bouro' [for Arre burro ?], which signifieth 'Get an ass' [signifies, in fact, You are as stupid (and sttuborn) as an ass], I am universally understood to be a person of degree and a master of languages. How merrily we lives that travellers be! - if we had food and raiment. But, in sober sadness, anything is better than England, and I am infinitely amused with my pilgrimage, as far as it has gone.

   To-morrow we start to ride post near 400 miles as far as Gibraltar, where we embark for Melita [for Melilla ?] and Byzantium. A letter to Malta will find me, or to be forwarded, if am absent. Pray embrace the Drury and Dwyer, and all the Ephesians you encounter. I am writing with Butler's donative pencil, which makes my hand worse. Excuse illegibility.

    Hodgson! send me the news, and the deaths and defeats and capital crimes and the misfortunes of one's friends; and let us hear of literary matters, and the controversies and criticisms. All this will be pleasant - 'Suave mari magno, &c.' Talking of that, I have been sea-sick, and sick of the sea. Adieu."

 

  [George Gordon Noel, Lord Byron (1788-1824)]

 

Cintra bei Lissabon in Portugal (1840s)

Engraved by B. Metzerofh

publicado por blogdaruanove às 13:08
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