Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Ultimato, Literatura e Regicídio

Guerra Junqueiro (1850-1923), bilhete postal do início da década de 1910, editado por Rocha, Lisboa.

 

   O Ultimato que a Inglaterra apresentou a Portugal em Janeiro de 1890 marcou indelevelmente o período que se seguiu à aclamação de D. Carlos I (1863-1908; rei, 1889-1908), surgindo como um presságio de todas as dificuldades que iriam marcar o seu reinado.

   Numerosos intelectuais e artistas manifestaram o seu desagrado perante a actuação do governo português ao longo desta crise e dos momentos que se seguiram. Alfredo Keil (1850-1907) e Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931) compuseram logo nesse ano o hino A Portuguesa, que haveria de se tornar o hino nacional após 1910. Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) iniciou a produção das suas famosas cerâmicas anti-britânicas, no seguimento das caricaturas de sua autoria que já vinham abordando a situação colonial em África desde há alguns anos.

   Guerra Junqueiro (1850-1923) publicou também nesse ano Finis Patriae, um livro cujo título encerra um manifesto em si mesmo. Aí se incluía o fragmento À Inglaterra, um texto escatologicamente frontal, composto logo em Fevereiro de 1890. As duas primeiras estrofes são suficientemente eloquentes sobre o tom do poema:

 

"Ó cínica Inglaterra, ó bêbeda impudente,

Que tens levado, tu, ao negro e à escravidão?

Chitas e hipocrisia, evangelho e aguardente,

Repartindo por todo o escuro continente

A mortalha de Cristo em tangas d'algodão.

 

Vendes o amor ao metro e a caridade às jardas,

E trocas o teu Deus a borracha e marfim,

Reduzindo-lhe o lenho a cronhas [sic] d'espingardas,

Convertendo-lhe o corpo em pólvora e bombardas,

Transformando-lhe o sangue em águarrás e gim!"

 

 

 

   Três anos depois, Delfim Guimarães (1872-1933) publicou Confidências (1894), um livro onde perpassa ainda o sentimento anti-britânico mas onde se apontam essencialmente as debilidades que dilaceravam a sociedade portuguesa. Os extractos dos sonetos que a seguir se transcrevem deixam bem clara a situação deplorável em que o país se encontrava:

 

"SEM PÁTRIA

 

I

 

Se tu voltar puderas, meu poeta,

A contemplar a pátria decantada,

Havias de encontrá-la bem mudada.

De nobre que já foi tornou-se abjecta.

 

(...)

 

O pavilhão das quinas não batalha;

Faz hoje em dia o papel de toalha

Nas mesas avinhadas dos bretões...

 

(...)

 

 

V

 

O meu torrão natal!... Campos sem trigo...

Aldeias sem ninguém, despovoadas...

Tudo some o Brasil. Pelas estradas

Quantos entes sem pão, quanto mendigo!

 

(...)

 

VI

 

Aumenta a emigração! Barcos ingleses

Saem a barra em busca do Brasil,

Levando a bordo, aos cem, aos mil e mil

De robustos rapazes portugueses.

 

(...)

 

X

 

(...)

 

Desditoso país! Que vilipêndio!

Quanto melhor não fora que um incêndio,

Um pavoroso incêndio te arrasasse!...

 

Ó torpeza sem nome, ó vil torpeza!

A pátria de Camões, colónia inglesa,

A pátria de Camões, casa de passe!"

 

   Considerando que entretanto, a 31 de Janeiro de 1891, ocorrera a revolta republicana do Porto, considerando que em meados dessa década se travavam em África, particularmente em Moçambique, combates para controlar revoltas nos territórios sob administração portuguesa, considerando que a situação económica e financeira do pais se deteriorou gravemente no início do século XX, considerando que a emigração legal atingiu o seu máximo nos primeiros anos desse século, considerando a ditadura de João Franco (1855-1929), a censura à imprensa e todo o desencanto vivido nesse início de século, torna-se evidente que a teoria da conspiração, cuidadosamente preparada e organizada e com vastos apoios, para assassinar D. Carlos I se apresenta como perfeitamente plausível e lógica. Aliás, o simbolismo da própria data do regicídio não seria alheio a uma evocação revanchista do insucesso da revolta do Porto.

 

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31 de Janeiro de 1891

 

Evocando a revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891, no Porto.

 

Azevedo d' Albuquerque [1839-1912] (Decano dos Republicanos Portugueses)

Bilhete postal do início da década de 1910.

Edição de Rocha, Lisboa.

 

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Gravura Portuguesa, 1956 - 1962

 

Manuel Baptista (n. 1936), Sem Título (1962), xilogravura.

 

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Cromos dos Anos 60 - Wolseley

 

Wolseley

Cilindrada: 1098 c. c.

Consumo: 8 l/100 km

Taxa de compressão: 8,9

Potência: 56 Cv. SAE

Velocidade máxima: 142 km/h

Travões: disco às 4 rodas.

Motor: 4 cilindros

Tracção e motor: dianteiros

País: Grã-Bretanha

 

Caixa de 4 velocidades.

 

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Aspectos do Vidro em Portugal no Século XX

Jarra em vidro branco transparente, moldado, com aplicação de partículas de vidro verde na superfície exterior e dourado.  Peça provavelmente produzida na Marinha Grande. Década de 1940 ou 1950.

 

   A fase final do período Art Déco na indústria vidreira nacional caracterizou-se pela utilização acentuada de uma inovadora técnica decorativa – a aplicação, no exterior das peças, de particulas coloridas de vidro que se fundiam com o vidro branco transparente moldado e conferiam à superfície dos objectos uma textura rugosa mas suave ao tacto.

   Como é óbvio, esta técnica conferia às peças não apenas uma decoração em relevo com cintilações particulamente contrastantes entre a superfíe inferior do branco transparente e o exterior colorido, mas também uma característica particularmente atraente devida ao jogo de luz e sombra assim obtido.

 

   

Jarra em vidro branco transparente, moldado, com o exterior tratado quimicamente (flashed glass, em Inglês) de modo a obter o efeito alaranjado e irisado popularmente conhecido como "casca de cebola" e posterior aplicação de partículas de vidro vermelho na superfície (à esquerda). Jarrinha em vidro branco transparente, moldado, com aplicação de partículas de vidro rosa na superfície exterior e dourado. Peças provavelmente produzidas na Marinha Grande. Década de 1940 ou 1950.

 

   Esta decoração era habitualmente aplicada sobre o vidro branco transparente, mas surgia também, em menor escala, aplicada sobre vidro com acabamento "casca de cebola". As partículas coloridas eram essencialmente amarelas, rosadas, vermelhas e verdes, encontrando-se ainda superficies acabadas a azul ou a preto.

   Na maioria dos casos, a decoração destas peças era também complementada com pormenores a ouro, normalmente filamentos ou faixas de espessura variável, que acentuavam a forma do objecto e os jogos de luz e sombra.

 

Copo em vidro branco transparente, moldado, com aplicação de partículas de vidro amarelo na superfície exterior e dourado.  Peça provavelmente produzida na Marinha Grande. Década de 1950 ou 1960.

 

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D. Carlos I, Pintor

 

D. Carlos I (1863-1908; rei, 1889-1908), Marinha (1892), pastel.

Bilhete postal impresso em meados do século XX por Neogravura, Lda., Lisboa.

 

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Gravura Portuguesa, 1956 - 1962

 

António Areal (1934-1978), Sem Título (1957), litografia.

 

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Aspectos da Tourada em Portugal

 

(Sem título) [Açores?, Ilha Terceira?]

Bilhete postal do início da década de 1940 (cerca de 1943).

Emissão de editor não identificado, impressão de Tellko.

 

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A Volta ao Mundo em 60 Dias - Congo

 

Le "Wangata" remontant le fleuve Congo.

Bilhete postal circulado de Dima, Congo [Belga], para Porto Alegre, Brasil, em Fevereiro de 1930.

Edição de R. A. e Nels.

 

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Expo 58 (33)

 

Pavilhão da Pan American Airways.

 

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