Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Autógrafos - José Riço Direitinho

 

José Riço Direitinho (n. 1965), A Casa do Fim (1992).

 

   

 

   José Riço Direitinho (n. 1965).

   Tendo publicado o seu primeiro livro em 1992 (A Casa do Fim; existe uma edição do conto homónimo realizada pela A.E.F.C. da Universidade do Porto, em 1988), Riço Direitinho revelou-se de imediato um escritor com uma visão renovadora, imbuindo, embora, muitos do seus contos de um ambiente rural que já há algum tempo não surgia na corrente principal da literatura portuguesa do século XX .

   Recebendo logo de início críticas muito positivas sobre a sua escrita, entre as quais a de Agustina Bessa-Luís (n. 1922), publicou posteriormente Breviário das Más Inclinações (1994), O Relógio do Cárcere (1997) e Histórias com Cidades (2001). Contribuiu ainda para várias antologias ao longo da década de 1990.

   Com obras traduzidas em várias línguas, viveu durante algum tempo em Berlim e Nova Iorque, disfrutando de bolsas literárias. Dessas estadias resultou a publicação do seu livro mais recente, Histórias com Cidades.

   Do conto O Amieiro (in A Casa do Fim), transcrevem-se os três primeiros parágrafos:

 

   "Jurava que um anjo se tinha metido de permeio, partindo um a um todos os ramos da árvore a que ele ia tentando atar a corda. Era inevitável estar agora vivo, três dias depois de ter adormecido sob o amieiro e sonhado com a sua morte atroz.

   Desde essa manhã não mais conseguira tornar a fechar os olhos, com medo que a morte lhe visitasse outra vez os sonhos; mantinha-se alerta para afastar com um pau todos os pássaros que se aproximassem. Ao caminhar pelas ruas ia tão atordoado pelo sono de três dias, que não encontrava discernimento para escolher  o lado da rua em que a sombra o protegeria daquele calor de Agosto, quase siderúrgico. Encostava-se aos portados ou abancava nos poiais, para recuperar o fôlego e logo depois continuar a andar, com o mesmo olhar atento dos animais perseguidos.

   "Durante os três dias não saiu da vila, para não ter que atravessar as terras de milho ou chegar-se perto dos canteiros de arroz", contou-me o pai no dia do funeral, "é onde os cabrões dos pássaros passam todo o tempo, neste mês de merda!"

 

 

O Relógio do Cárcere (1997).

 

© Blog da Rua Nove

publicado por blogdaruanove às 12:19
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