Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007

Literatura Colonial Portuguesa

Capa de Inês Guerreiro (n. 1915).

 

Fernanda de Castro (1900-1994), África Raiz (1966).

Autora de inúmeros livros, no âmbito da literatura infantil, da poesia, do romance e do teatro, e ainda tradutora (traduziu o Diário, de Katherine Mansfield [1888-1923], e Cartas a um Poeta, de Rilke [1875-1926]), Fernanda de Castro tem tido a sua obra ignorada nas últimas décadas. Esquecimento a que não será alheia a marginalização da própria obra de seu marido, António Ferro (1895-1956). Factos certamente indissociáveis, pelos menos em parte, da imagem de ligação ao Estado Novo que o casal teve nas décadas de 1930 e 1940 e do entusiasmo que Ferro inicialmente manifestou pelo modelo fascista de Mussolini (1883-1945).

Diversos aspectos autobiográficos da vida da escritora, desde 1906 a 1987, encontram-se registados nas memórias intituladas Ao Fim da Memória, I (1986) e II (1988), uma reformulação do volume de memórias O Pequeno Eu, anunciado na década de 1960 e nunca publicado. A actividade da escritora e as suas relações com  elementos do meio artístico e literário, nacional e internacional, encontrar-se-ão também documentadas naquela que se presume seja a sua volumosa correspondência, ainda inédita. Sabe-se que, entre outras personalidades, manteve longa correspondência com a poetisa brasileira Cecília Meireles (1901-1964).

 

Desenho de Eleutério Sanches (n. 1935) para África Raiz.

 

Fernanda de Castro raramente se debruçou sobre a temática africana até à publicação deste longo poema, que surge por  razões particulares. A dedicatória do livro desvenda parte dessas razões – "À terra de Bolama, em cujos braços repousa minha Mãe." Antes deste volume, havia publicado Mariazinha em África (1959), uma obra de literatura infantil, tendo publicado posteriormente Fim de Semana na Gorongosa (1973).

África Raíz é uma narrativa em verso de fragmentos da vida de várias personagens da Guiné, Fulas, Mancanhas, Manjacos, Papéis, que culmina com a morte de Joaquim Có. Mas, é acima de tudo, uma elegia a África – "Ventre de Continentes, / és mater e matriz. / Ásia é semente, Europa é flor, / outros serão essência ou tronco, / tu, África, és raiz."

 

Desenho de Eleutério Sanches (n. 1935) para África Raiz.

 

© Blog da Rua Nove

publicado por blogdaruanove às 16:41
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