Quinta-feira, 29 de Março de 2007

Japonisme

Vincent van Gogh (1853-1890), Retrato de Julien "Père" Tanguy (1887-88)

© Colecção Particular

 

    O retrato do escritor Abel Botelho (1854-1917) que o pintor António Ramalho (1858-1916) meticulosa e simbolicamente efectuou em 1889 (http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/2007/03/25/) traduz uma das tendências da época, o Japonisme, que sucedeu a uma longa tradição ocidental de gosto pela chinoiserie.

   Embora os portugueses tenham chegado ao Japão em 1543, o gosto português e europeu manteve-se influenciado durante alguns séculos pelas importações da China, facto a que não terá sido alheia a lei japonesa de 1614, que proibiu o culto cristão no território, e a decisão de encerrar o Japão aos ocidentais a partir de 1639. Excepcionalmente, esta lei permitiu a manutenção de um pequeno entreposto comercial holandês no sul do arquipélago. 

   Só em 1853 o Japão alterou esta posição, com a chegada ao país de uma armada americana comandada pelo comodoro M. C. Perry (1794-1858) que forçou o restabelecimento sem limites das relações comerciais com o Ocidente.  

   As exposições universais serviram então de veículo transmissor do gosto pela cultura japonesa, particularmente a partir da exposição de Paris de 1867, mas também nas subsequentes exposições de 1878 e 1889. 

   Os pintores impressionistas e pós-impressionistas reflectiram muito desse fascínio pelo Japão. Vincent van Gogh (1853-1890) evidenciou essa influência em várias das suas obras, particularmente no retrato ilustrado. (Ver outras obras no site do museu Van Gogh: http://www3.vangoghmuseum.nl/vgm/index.jsp?lang=nl.) Nas artes decorativas, a Arte Nova recebeu muita da sua inspiração deste gosto. Também influentes arquitectos, como Frank Lloyd Wright (1867-1959), se deixaram cativar pelo fascínio do Japonisme.

   O ambiente que rodeia Abel Botelho retrata perfeitamente o gosto da época: um prato com decoração imari, à direita do observador, uma bijin (beleza) à esquerda e o próprio escritor envergando um kimono.

   Na literatura portuguesa, Wenceslau de Moraes (1854-1929) levou esse gosto pelo Japonisme ao extremo. Tendo assumido funções diplomáticas no Japão em 1899, aí permaneceu após a jubilação, em 1913, continuando a escrever obsessivamente sobre o país e as suas tradições.

   Durante o século XX, as movimentações políticas na Europa conduziram ainda a breves e inesperadas alianças militares e culturais, como aquela que se documenta no cartaz italiano de 1942.

  

Cartaz reproduzido em Yamato, Mensile Italo-Giaponnese, 1, ano III, Janeiro de 1943.

 

© Blog da Rua Nove

publicado por blogdaruanove às 14:19
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