Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Literatura Colonial Portuguesa

Joaquim Paço d'Arcos (1908-1979), O Samovar e Outras Páginas Africanas (1972).

 

Joaquim Paço d'Arcos (1908-1979), O Samovar (c. 1957).

 

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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

Autógrafos - Joaquim Paço d'Arcos

 

Joaquim Paço d'Arcos (1908-1979), Poèmes Imparfaits (1955, tradução de Armand Guibert; edição original em Português, Poemas Imperfeitos, 1952)

 

 

Joaquim Paço d'Arcos (1908-1979)

   Paço d'Arcos efectuou um trajecto literário que marcou a literatura portuguesa durante mais de quarenta anos, embora hoje a sua obra esteja praticamente esquecida e a sua literatura seja depreciativamente classificada como datada.

   Na ficção portuguesa do século XX, o carácter eclético e internacional dos seus espaços de acção talvez só tenha paralelo na obra de José Rodrigues Miguéis (1901-1980). Situando as suas personagens e a acção em locais do Oriente, da América do Sul e do Norte, da África e da Europa, Paço d'Arcos reflectiu nos seus contos, novelas e romances a vivência que experimentou pessoalmente em todas essas regiões. 

   Galardoado com o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia, pelo seu romance Ana Paula (1938), Paço d'Arcos criou forte polémica ao recusar o prémio, contestando as reservas com que este lhe tinha sido atribuído. O romance, complementado com as obras Ansiedade (1940) e O Caminho da Culpa (1944), iniciaria uma trilogia sobre a vida lisboeta da primeira metade do século XX, em que várias personagens transitam de um romance para outro.

   O início da década de 1940 coincidiu com o período da grave doença que viria a vitimar a sua primeira esposa e parte da sua demanda terapêutica nos E. U. A. é relatada no livro de contos Neve sobre o Mar (1942).

   Tendo as suas obras traduzidas em diversas línguas, Paço d'Arcos viu dois poemas desta colectânea, Fear e Febrile City, incluídos em The Penguin Book of Modern Verse Translation (1966).

   De Poèmes Imparfaits, transcrevem- se dois poemas:

 

"LA CITÉ AUX TOURS PLUS HAUTES QUE LE CIEL

 

Le brouillard cachait les tours de ciment.

La ville dressée vers le ciel se confondait avec le ciel.

Mais elle n'avait point d'horizons.

Elle avait des annonces lumineuses mais point de lumière.

Elle avait bien des êtres mais elle n'avait pas d'âme.

 

La cité aux mille voix sans écho,

La cité sans voix, aux mille voix criardes,

La ville sans lumière, aux lumières criardes,

La ville aux aiguilles plus hautes que le ciel,

Au ciel plus bas que les hommes,

La ville s'est perdue pour toi

Parce que tu t'es perdue en elle.

 

La brume a entraîné les tours

Les bruits multiples de la ville ont étouffé les voix,

Les lumières ont noyé la lumière.

La multitude a renversé l'être humain,

A piétiné son âme.

Toi seule es restée debout dans ta peur et ta grâce:

 

Ta voix, ta lumière, ton âme.

 

New York, avril 52"

 

A Floresta de Cimento, Claridades e Sombras dos Estados Unidos (1.ª edição, 1953; 2.ª edição, 1956)

 

"PERDU DANS LA CITÉ AUX VIES INFINITES

 

Dans la rue étroite aux grands buildings,

Mes pas se sont perdus.

Dans le building aux si hauts étages,

Mes pas se sont perdus.

 

Je me suis perdu sur les asphaltes interminables,

Dans les rues toujours égales et parallèles.

Je me suis perdu dans les sentiers des parcs dénudés

Et sur les grands ponts d'acier qui traversent le fleuve.

Je me suis perdu en moi-même.

 

Je me suis cherché dans les colonnes minuscules des pages d'annonces

Des grands journaux.

Je me suis cherché dans les voix criardes de la radio,

Dans les galeries de musée,

Au drug-store,

Dans les caves du sub-way,

Dans les ruelles de China-town,

Dans les lumières de Broadway

Et sur l'étendue des grandes routes

Qui passent par-dessus la ville

Et par dessus les fleuves.

 

Je me suis cherché en vain.

 

Perdu dans la cité aux vies infinies,

Quand je désespérais de me retrouver

Je t'ai rencontrée,

Dans ce petit restaurant de Battery,

A l'extrémité de l' île.

 

La radio nous apportait une chanson étrange,

Tes yeux avaient une lumière si étrange,

Et dans le fond le plus profond de tes yeux

Je me suis retrouvé.

 

New-York, 41"

 

Autógrafo e dedicatória de Maria da Graça Paço d'Arcos, segunda esposa do autor, num exemplar da segunda edição de A Floresta de Cimento. Paço d'Arcos inscreveu a seguinte dedicatória no frontispício deste livro – "Maria da Graça: nós, neste livro, somos tu e eu. Foi nosso o caminho, como foi nossa a vida. Assim continue suave, a teu lado, o caminho da vida."

 

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Terça-feira, 13 de Março de 2007

Um Testemunho Literário sobre a Tuberculose

A bordo do paquete Vera Cruz, entre o Brasil e Portugal, 1959.

O comandante, Paço d'Arcos, Ferreira de Castro e Austregésilo de Athayde.

 

   O escritor Joaquim Paço d'Arcos (1908-1979) sobreviveu a esta doença, embora dois dos seus irmãos (Carlos Eugénio e Pedro) a ela tenham sucumbido. No terceiro volume das suas memórias, Memórias da Minha Vida e do Meu Tempo (1979), o autor relata aspectos da tragédia que o atingiu a si e à sua família. Desse volume, transcrevem-se dois breves parágrafos, relativos ao ano de 1930:

 

   "Foi nas Pedras Salgadas que a minha noiva notou que eu andava febril. Consultado o termómetro evidenciou este que todas as tardes a minha temperatura subia a 37,5, 37,8. Regressei a Lisboa e sujeitei-me à mesma prova radiográfica que dois meses antes denunciara o grau avançado de doença do Carlos Eugénio. Não foi ela tão cruel para comigo como fora para o meu irmão primogénito. Infiltrações no vértice do pulmão esquerdo. Tuberculose incipiente, exigindo tratamento e repouso, mas não internamento sanatorial. Passei um mês junto da família na casa do Linhó, frente à serra de Sintra em que o meu olhar pousava, familiarizado desde a infância com o biombo verde e ondulado que nos escondia o mar.

   Daí transitei para a Casa de Saúde de Benfica, onde permaneci por três meses até ao final do ano. Como não estivesse ainda em fase contagiante da doença, foi-me permitido habitar a clínica especialmente consagrada à cirurgia, mas onde alguns convalescentes, como eu, utilizavam o dia inteiro, ao sol ou ao frio, as amplas e agradáveis varandas de cura. No vale, em cuja encosta a Casa de Saúde fora construída, só lá em baixo, junto à Estrada de Benfica, se erguiam edificações. Tudo o mais era ainda campo, de lavoura ou de pasto, e em frente de nós, estendidos horas sem fim na varanda, a meditar ou a ler, serpenteava uma estrada de terra batida, a trepar pela colina fronteira até ao Forte de Monsanto."

 

Enquanto presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores, Março de 1961.

Cunha Leão, Jacques de Lacretelle, Paço d'Arcos e José Cardoso Pires.

 

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