Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Homenagem a José Rodrigues Miguéis

A Amargura dos Contrastes (2004). Capa de André Carrilho (n. 1974).

 

 

 

 

 

   "Sabia já, por carta amiga, que eles estavam a chegar por via marítima, em grupo, para erguer, montar e [sic] o pavilhão português da Feira mundial, a ser inaugurada em breve. Ausente havia cinco anos, e num estado de nervos que lhe exacerbava todos os afectos, a notícia trazia-o alvoroçado e impaciente: Se eles queriam vê-lo? E como o acolheriam se...? Por isso, naquela tarde, o telefonema, sem o surpreender, foi uma surpresa: pela coragem do alto funcionário que ousava infringir a regra do ostracismo. "Já cá estão! – disse ele. – Venha vê-los esta noite ao Martinique!" (hotel algo suspeito, mas tal fora a decisão oficial...). Correu a procurá-los logo depois de jantar. O encontro foi eufórico. Receberam-no rindo, de braços abertos, como amigos velhos. O Bernardo [Marques] e a Ofélia, o Fred [Kradolfer] e a Astrid, o Zé Rocha e a Selam enfim unidos, o Carlos [Botelho] (sem a Dona Brites, que pena!), e além deles Anahory, celibatário. Estavam os mesmos, pareciam felizes, e o Ontem fez-se Hoje de repente. Só faltava o Arquitecto, que seguia à risca as instruções do Chefe. Este, ainda a bordo, reunira-os e falara assim: "Eu sei que vocês são todos amigos do Expatriado, e hão-de querer encontrar-se com ele. Mas, pelo amor de Deus, façam-no discretamente, onde isso não dê nas vistas! Eu admiro-o muito, mas o sorriso dele, o nariz bicudo, bastam para o tornar subversivo!" E a primeira coisa que eles faziam, queridos!, era chamá-lo. Ainda mais enternecido ficou ao sabê-lo."

 

 

 

 

José Rodrigues Miguéis (1901-1980), in A Amargura dos Contrastes (2004; texto originalmente publicado no jornal Diário Popular, em 25 de Outubro de 1973).

 

 

 

 

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Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

Revista Seara Nova

 

Ilustração de José Rodrigues Miguéis (1901-1980) para a capa da revista Seara Nova, número 106, de 15 de Setembro de 1927.

 

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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

Miguéis Ilustrador

Ilustração de Miguéis para a capa da revista Seara Nova, número 107, de 29 de Setembro de 1927.

 

   Desde que a Universidade de Brown, nos E.U.A., recebeu a maior parte do espólio do escritor José Rodrigues Miguéis (1901-1980) e, essencialmente através da acção de Onésimo Teotónio de Almeida (n. 1946) e George Monteiro (n. 1932), começou a promover estudos sobre o autor e a tradução em língua Inglesa de alguns dos seus trabalhos, sabe-se que Miguéis preparava esboços de ilustrações relacionadas com algumas das suas obras.

   Algumas dessas ilustrações foram publicadas nos Estados Unidos em Steerage and Ten Other Stories (1983) e A Man Smiles at Death with Half a Face (1990), e em Portugal na edição em dois volumes de O Milagre Segundo Salomé (1995).

   Contudo, ignora-se frequentemente que essa propensão de Miguéis já vem da década de 1920. Como se sabe, antes de partir para a Bélgica, em 1929, o autor colaborou assiduamente com a revista Seara Nova (fundada em 1921). Mas não apenas como escritor. De facto muitos dos desenhos apresentados na revista eram de Miguéis, incluindo ilustrações para algumas capas, como se comprova pelas imagens reproduzidas.

 

Ilustração de Miguéis para a capa da revista Seara Nova, número 108, de 20 de Outubro de 1927.

 

Ilustração de Miguéis para a recensão crítica de Castelo Branco Chaves (1900-1992) sobre Andam Faunos pelos de Bosques (1926), de Aquilino Ribeiro (1885-1963), publicada na revista Seara Nova, número 101, de 30 de Junho de 1927.

 

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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

José Rodrigues Miguéis

 

 

A obra de José Rodrigues Miguéis (1901-1980) representa um caso particularmente interessante na literatura portuguesa do século XX, essencialmente devido à conjugação de três factores - uma longa expatriação do autor, uma utilização insistente de inúmeros espaços ficcionais localizados no estrangeiro (diversidade espacial que, na primeira metade do século, talvez apenas encontre paralelo na obra de Manuel Teixeira Gomes [1860-1941] ou de Joaquim Paço d’Arcos [1908-1979]) e uma contínua reflexão sobre a sua própria produção literária, aspecto que com frequência assume características de auto-exegese.

 

Os dois primeiros factores não obstaram a que a ficção de Miguéis evidencie uma inequívoca afectividade por Portugal e, particularmente, por Lisboa. Entre muitos outros textos, o conto Saudades para a Dona Genciana e o romance A Escola do Paraíso evocam nostalgicamente a época da infância e da adolescência do autor em Lisboa (coincidente com a I República, 1910–1926), demonstrando que nem a manifesta discordância de Miguéis quanto ao regime Salazarista (eventual causa do seu exílio) alterou essa afectividade pela cidade e pelo país.

 

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