Terça-feira, 31 de Julho de 2007

Bibliografia sobre Wenceslau de Moraes

 

  

 

   A bibliografia sobre Wenceslau de Moraes não tem aumentado significativamente nas últimas décadas, embora se tenham efectuado algumas reedições da sua obra. De entre estas reedições, são de particular interesse as realizadas na década de 1970, devido às introduções e notas de Armando Martins Janeira (1914-1988).

   Entusiasta da obra do autor, Martins Janeira escreveu Japanese and Western Literature (Tuttle, 1970)  e O Jardim do Encanto Perdido (1956), obra que foi traduzida para Japonês (Yoake no Shirabe, Tokyo, 1969; Minako Nonoyama, tradutor) e apresenta aquela que ainda hoje é considerada  a mais completa biografia de Wenceslau de Moraes.

 

   

 

   Na década de 1930 apareceram duas importantes biografias de Wenceslau  - O Exilado de Tokushima, texto inserido no volume Visões da China (1933), de Jaime do Inso (1880-1967), e Os Amores de Wenceslau de Morais (1937), por Ângelo Pereira (1886-1975) e Oldemiro César (1884-1953). Estes volumes apresentam, ainda, correspondência de Wenceslau de Moraes.

   Entre outras obras, a epistolografia do autor está ainda reunida em Cartas Íntimas (1944), publicadas por Ângelo Pereira e Oldemiro César, Cartas do Japão (1.ª série, 1977), publicadas por Martins Janeira, e Do Kansai a Shikoku (1988), compilação da correspondência enviada a Carlos e Maria Joaquina Campos, publicada por Jorge Dias (1907-1973).

   A biografia publicada neste blog ao longo das últimas semanas baseou-se essencialmente nos dois volumes da década de 1930 e na compilação de Jorge Dias, que serviram também de fonte iconográfica para as imagens reproduzidas.

 

   

 

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Terça-feira, 3 de Julho de 2007

Wenceslau de Moraes

 

   Wenceslau de Moraes nasceu em 1854 e faleceu a 1 de Julho de 1929. Enquanto oficial da Marinha, exerceu funções inerentes ao seu posto em Macau, Moçambique e Timor. Chegou a Macau em 1888, aí permanecendo até 1898. Da sua relação com Mo Wong Shi Moraes, também conhecida como Wong Ioc Chan e Atchan, nasceram dois filhos, José (n. 1893) e João Moraes (n. 1894). Estes acompanharam a mãe para Hong Kong quando Atchan decidiu abandonar Wenceslau.

   Já no Japão, Wenceslau de Moraes assumiu em 1899 o posto de cônsul de Portugal em Hiogo e Osaka. Logo depois foi nomeado para exercer essas funções em Kobe e Osaka. A seu pedido, foi exonerado deste posto e da Marinha em 1913.

  

 

     Em Kobe, no ano de 1900, desposou Ó-Yoné Fukumoto (fotografia acima), a qual veio a falecer em 1912. Posteriormente, manteve uma ligação afectiva com a sobrinha desta, Ko-Haru, a qual também veio a sucumbir em 1916.

   A vasta bibliografia de Wenceslau de Moraes, ou Portugaru-San, como era conhecido no Japão, documenta o seu apreço pelo país e pelas tradições nipónicas. O seu volume O Culto do Chá (Kobe, 1905), com ilustrações de Yoshiaki (datas desconhecidas), tornou-se uma raridade bibliográfica ainda em vida do autor. Nova edição deste título, póstuma (Lisboa, 1933), numerada e reproduzindo as ilustrações originais à maneira japonesa, duas páginas impressas seguidas de duas páginas em branco (que constituem o verso da folha impressa, dobrada), é hoje também uma preciosidade avidamente procurada por bibliófilos.

   Entre muitos outros títulos de Wenceslau, refiram-se Traços do Extremo Oriente (1895), Dai-Nippon (1897), Bon-Odori em Tokushima (1916), Ko-Haru (1917), Ó-Yoné e Ko-Haru (1923) e Os Serões no Japão (1926).

   A obra de Wenceslau de Moraes teve grande difusão em Portugal particularmente durante as décadas de 1920 e 1930. Tendo caído no esquecimento, foi recuperada na década de 1970 pelo entusiasmo de Armando Martins Janeira (1914-1988), que prefaciou e anotou as edições da Parceria A. M. Pereira. Actualmente, uma vez que a propriedade literária se encontra no domínio público, nova editora portuguesa se encontra a publicar as obras do autor. Em 2005 publicou-se em Francês uma selecção de textos de Wenceslau de Moraes, sob o título Ó-Yoné et Ko-Haru

   

 

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Sexta-feira, 30 de Março de 2007

Um Haikai de Bashô

Xilogravura de Yoshitora Utagawa (activo entre 1840 e 1880)

  

  haikai é uma composição poética japonesa que pretende sugerir um máximo de sensações através de um mínimo de palavras. Na sua forma clássica, apresenta apenas 17 sílabas, organizadas em terceto, com uma métrica de sete sílabas no segundo verso e de cinco sílabas no primeiro e terceiro versos.

  

Furu ike ya

Kawazu tobikomu

Mizu no oto

 

Matsuô Bashô (1644-1694)

 

 

Ah! o velho poço!

uma rã salta

som da água.

 

Tradução de Armando Martins Janeira (1914-1988)

   

 

Quebrando o silêncio

do charco antigo a rã salta

n'água - ressoar fundo.

 

Tradução de Jorge de Sena (1919-1978)

 

   

Um templo, um tanque musgoso;

Mudez, apenas cortada

Pelo ruído das rãs,

Saltando à água, mais nada...

Tradução de Wenceslau de Moraes (1854-1929)

 

  

Ah! o velho lago

... o baque na água.

Tradução de Paulo Murilo Rocha (publicada em 1970)

  

 

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