Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Reflexos - Piló

 

 

 

   Ilustrações de Manuel Piló (Pilo da Silva, 1905-1988), reproduzidas em porcelana pela Vista Alegre, no ano de 2006. Para imagens de maior dimensão dos bilhetes postais que apresentavam a ilustração original ver http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/247721.html e http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/247827.html.

 

 

 

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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007

Aspectos do Vidro em Portugal no Século XX

Copo com decoração do tipo "Mary Gregory", de provável manufactura estrangeira. Finais do século XIX.

 

   A decoração de vidro conhecida como "Mary Gregory" deve o seu nome à suposição de esta técnica ter sido iniciada nos Estados Unidos  por uma decoradora vidreira com este nome. Tal pressuposto veio a ser contestado posteriormente, havendo inúmeros exemplos que provam ter sido esta técnica comum a vários países, a partir do último quartel do século XIX, embora a maioria da produção seja atribuída à Boémia. 

   A decoração "Mary Gregory" caracteriza-se por apresentar desenhos a esmalte branco, com acentuado relevo,  representando essencialmente crianças mas também algumas personagens adultas. Muitas das peças apresentam-se em vidro colorido, embora se considere que os modelos primitivos terão sido provavelmente executados em vidro branco, transparente. É provável, pois, que esta decoração derive de uma imitação menos dispendiosa do vidro gravado e lapidado com retratos em camafeu, técnica que em Portugal foi executada no segundo quartel do século XIX pela fábrica da Vista Alegre.

   O reduzido grupo de especialistas que em Portugal se dedica ao estudo do vidro apresenta-se dividido quanto à existência desta técnica em Portugal, embora o Museu do Vidro da Marinha Grande exponha uma peça que os responsáveis do museu consideram ter sido executada em Portugal.

   A peça que abaixo se reproduz, provavelmente executada em Portugal, apresenta uma característica comum ao exemplar do Museu do Vidro da Marinha Grande – o facto de a decoração não ser executada totalmente a branco, apresentando o rosto colorido. Esta variante poderá ser, assim, uma característica específica da produção "Mary Gregory" portuguesa, se efectivamente ela existiu. Como é óbvio, esta peça vem consubstanciar a hipótese de tal técnica ter sido, de facto, executada em Portugal.

   Consulte algumas informações sobre o Museu do Vidro da Marinha Grande em http://www.visitportugal.com/NR/exeres/753C1B20-6C94-4A34-914B-9C315AABF8A1,frameless.htm e obtenha informações mais desenvolvidas sobre o vidro e o espólio do museu em http://br.geocities.com/omnco/.

 

Copo com decoração do tipo "Mary Gregory", de provável manufactura portuguesa, com a inscrição a dourado "Lembrança da Primeira Commúnhao". Princípios do século XX.

 

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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

"Ouriceira..."

 

Paliteiro em porcelana fabricado pela Vista Alegre, 1922-1947.

 

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Terça-feira, 12 de Junho de 2007

João da Silva

João da Silva, "Passarinhos vinde em bando a ver anjinho tão lindo." (1949).

Medalhão em prata, de Anjo da Guarda, para berço.

 

João da Silva (1880-1960)

   Escultor marcante da primeira metade do século XX, tem sido votado ao esquecimento nas últimas décadas. Em parte devido à sua opção pelos mais diversos meios de expressão artística na escultura, alguns estigmatizados por pertencerem às chamadas artes decorativas, em parte pelas complicações legais que afectaram o seu legado artístico e a criação da sua Casa-Museu (http://pt.wikipedia.org/wiki/Casa_Museu_Jo%C3%A3o_da_Silva). Exerceu também a sua arte na medalhística, na numismática (são da sua autoria as famosas moedas de prata Caravela, que circularam entre as décadas de 1930 e 1960) e na joalharia (veja-se a soberba jóia reproduzida abaixo), tendo desenhado ainda várias peças especificamente para a produção cerâmica, em particular para as fábricas da Vista Alegre e do Candal, em Portugal, e da Rosenthal, na Alemanha.

   Evocando João da Silva, escreveu José Rodrigues Miguéis (1901-1980) na sua obra, publicada postumamente, Aforismos e Desaforismos de Aparício (1996):

 

   "13 de Dezembro de 1977

   Creio que foi pela minha mão, em 1930, que a primeira imagem da Senhora de Fátima deu entrada em Portugal. Ao regressar da Bélgica, e do meu primeiro ano como bolseiro da Junta de Educação Nacional, detive-me em Paris de visita (demorada) aos nossos amigos expatriados (Proença, Sérgio, Cortesão e tantos outros). Foi então que o escultor João da Silva, destemido antifascista e livre-pensador, além de cunhado de António Sérgio, me pediu que trouxesse para aqui um medalhão de gesso do tamanho de uma roda de carroça com a imagem da milagrosa, que de cá lhe fora encomendada. Aceitei gostosamente o encargo do amigo, do artista e do correlegionário. Ao chegar a Irun, os carabineros puseram-me o problema da entrada em Espanha de uma obra de arte estrangeira, e exigiram-me o pagamento já não sei de que taxas aduaneiras. Protestei, naturalmente, e eles chamaram o capitão do posto para arbitrar o caso. Como ele tomasse o partido dos subordinados – obra de arte, havia que esportelar! – eu argumentei no meu melhor castelhano que aquela Benta Imagem de Senhora de Fátima (ou não sabia ele do Milagre?) era um artigo religioso da minha fé e meu uso pessoal, e que, todas as noites, eu não podia adormecer sem lhe ter rezado fervorosamente e de joelhos. "Ah!", disse então o militar, "se é um objecto pessoal de fé religiosa, então não está sujeito a imposto aduaneiro! Pode passar!" Fez-me uma continência respeitosa, imitado pelos subordinados, e eu, tendo correspondido, agarrei na gigantesca roda de gesso, e fui tomar lugar na carruagem."

 

João da Silva, Perseu e Andrómeda. Alfinete de peito em ouro, com esmeraldas, diamantes e uma pérola. Jóia leiloada pela casa Christie's, Genebra, em 1986.

 

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