Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blog da Rua Nove

Blog da Rua Nove

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2011
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2010
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2009
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2008
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2007
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
20
Ago07

Miguel Torga (VII)

blogdaruanove

Contos da Montanha, 2.ª edição, Irmãos Pongetti, Rio de Janeiro, Brasil, 1955.

 

   A colectânea Montanha saíu pela primeira vez em 1941, tendo sido imediatamente alvo da censura do regime. Fora do mercado durante vários anos, teve a sua segunda e terceira edições, já com o título Contos da Montanha, em 1955 e 1962, no Brasil.

   É nesta colectânea que Torga apresenta uma personagem inesquecível – Maria Lionça. Uma mater dolorosa que remete inequivocamente para a Pietà, quando transporta nos braços o cadáver do filho, de regresso à terra natal.

   Surgem ainda contos com um humor peculiar, como Um Roubo, e contos de temática ligada ao sobrenatural, como O Bruxedo.

   Mas é nesta colectânea, como já foi referido, que surge também um conto de temática neo-realista – Minério. Publicado ainda na segunda edição do Brasil, de 1955, foi retirado já na edição seguinte, a de 1962, verificando-se nesta nova edição o aparecimento de um novo conto, O Desamparo de S. Frutuoso.

 

Contos da Montanha, 3.ª edição, Irmãos Pongetti, Rio de Janeiro , Brasil, 1962.

  

   Transcrevem-se seguidamente alguns parágrafos de Minério (2.ª edição, 1955):

 

   "E foi assim que a montanha se perdeu. Açulada pela necessidade, tôda a gente começou a saquear o senhor Williams. O minério não é sagrado. As serras, desde que o mundo é mundo, pertencem a cada povo. E lá diz o ditado: Quem rouba ladrão...

   Ora, o senhor Williams sabe da vida. E como a Guarda Republicana não se fez para outra coisa, aí vem ela de carabina aperrada pela serra acima.

   Os da montanha são do seu natural pacíficos. Criam-se com muito leite. À ponta de aguilhão é que se fazem lobos. A autoridade revista tudo, mete o nariz em tudo. As casas e as pessoas são esquadrinhadas como os montes. E por causa disso há tiros e mortes a toda a hora.

   Dantes, ao escurecer, quando os rebanhos voltavam do pastoreio, acabava o dia. Comia-se o caldo, davam-se as graças, apagava-se a candeia, e até amanhã. Agora a noite é a grande companheira de todos. Quanto mais negra, melhor. Untam-se com sabão os eixos dos carros, e o minério desce silenciosamente dos altos em direcção à Régua."

 

© Blog  da Rua Nove

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2011
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2010
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2009
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2008
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2007
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D