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01
Out07

Literatura Colonial Portuguesa

blogdaruanove

Capa de Moura (datas desconhecidas) e ilustrações de Ilberino dos Santos (datas desconhecidas).

 

Henrique Galvão (1895-1970), Kurika (1944).

   Africanista convicto desde a década de 1920, Henrique Galvão colaborou inicialmente com a política do Estado Novo, tendo coordenado a Exposição Colonial do Porto, realizada nos terrenos do Palácio de Cristal, em 1934.

   Posteriormente, afastou-se da política do regime, vindo a protagonizar o sequestro do paquete Santa Maria em 1961, acto  que, por coincidência ou talvez não, ocorreu poucos anos depois da frustrada tentativa de candidatura do general Humberto Delgado (1906-1965) à presidência da República, em 1958.

   Ao contrário da maioria dos autores referidos até ao momento, Henrique Galvão assume na sua lista bibliográfica a designação "literatura colonial" para os ensaios, crónicas e ficções relacionadas com África. Publicou em 1929 um conjunto de crónicas intituladas Em Terra de Pretos, sendo posteriormente galardoado com prémios de literatura colonial pelas seguintes obras de ficção – O Velo d'Oiro (romance, 1932), Terras de Feitiço (contos, 1934) e O Sol dos Trópicos (romance, 1936).

   Seguindo uma linha de êxito das narrativas portuguesas do século XX ligadas a animais, iniciada com O Romance da Raposa (1924), de Aquilino Ribeiro (1885-1963), e continuada com Bichos (1940), de Miguel Torga (1907-1995), Henrique Galvão obteve enorme sucesso com a narrativa Kurika, a história de um pequeno leão órfão recolhido por um colono e "adoptado" por um cão e uma macaca, atingindo em poucos meses a 3.ª edição.

 

 

    Uma narrativa que certamente deve o seu êxito ao ambiente em que a ficção se desenvolve  e à minuciosa descrição dos vários animais que povoam a selva e a savana angolana. Mas também à verosimilhança que o autor atribui aos factos narrados, aspecto em que insiste particularmente, ao ilustrar o romance com duas fotografias apresentando as seguintes legendas – "As personagens deste romance existiram..." (fotografia de uma macaca e de um pequeno leão) e "As personagens deste romance não são imaginárias..." (fotografia de dois olongos mortos, com os cornos entrelaçados). O autor, aliás, fez questão de transformar o seu texto num conjunto que combina a ficção com o texto ensaístico de características técnico-científicas, particularmente no que respeita à classificação científica da fauna.

 

    

 

    Não se deve o leitor surpreender, por isso, ao encontrar notas como esta – "Walt Disney, num dos seus maravilhosos flmes, chama "Bambi" a um veado. O bambi não é um veado nem a designação se pode aplicar a este animal, que não existe na África, à qual o termo pertence, como vocábulo da língua bantu, para denominar um pequeno antílope do grupo das chamadas "cabras do mato", e que os naturalistas distinguem chamando-lhe "Cephalophus Sylvicapra, grimmi".

   O autor pretendeu, contudo, escrever uma obra para todas as idades, como ele muito bem declarou no prefácio, antecipando-se ao famoso lema ("Dos 7 aos 77 Anos") da revista belga Tintin (1946-1993) – "Este livro não se destina àquelas pessoas que conseguiram deixar de ser crianças na porção de tempo que decorre entre o termo da puberdade e o degrau convencional da maioridade civil. Pretendemos, é certo, que fosse um livro para crianças – mas para as crianças de todas as idades, entre os quinze e os oitenta anos, as crianças, enfim, que a idade não consegue matar nem abandonar na alma dos homens, mesmo quando as rugas já lhes sulcam as faces e seus cabelos embranquecem – ou caem para não sofrerem o desaire de mudar de cor."

 

 

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