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26
Abr07

Perplexa Insanidade

blogdaruanove

Photo © portretfotografe

 

   Não é a luz que me atrai. Antes a escuridão e as suas sombras, os seus vultos, as suas linhas indefinidas. As desilusões que se fazem anunciar. Os mistérios que hei-de congeminar. Os terríveis segredos ainda por desvendar.

   Ah! Sentir esta insistente vibração, esta frágil vertigem, este medo que se insinua  e nos separa do nada. Sentir que uma hierática insanidade nos invade. (Abranda, abranda...) Sentir uma avassaladora imobilidade. (Pára, pára...) Ah! Sentir, apenas. Sentir...

 

© Blog da Rua Nove

26
Abr07

Cromos dos Anos 60 - Alfa Romeo

blogdaruanove

 

Alfa Romeo Scarabeo OSI

 

Cilindrada: 1570 c. c.

Consumo: 16 l/100km

Taxa de compressão: 9

Potência: 145 Cv. DIN

Velocidade máxima: 200 km/h

Travões: disco às 4 rodas

Motor: 4 cilindros transversal, Giulia 1600

Tracção: traseira

País: Itália

 

Carroçaria OSI, pára-brisas e portas monobloco.

 

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26
Abr07

Velhos Tempos (II)

blogdaruanove

http://www.flickr.com/photos/aarthyr/

Photo © aarthyr

 

   As judiarias que lhe fazíamos eram menos por maldade que por necessidade de descobrir a sua maneira esquisita de viver – pessoa de poucas falas, fazia vida à parte, no seu casebre enterrado por entre as fragas afastadas do povoado, que nem bicho do mato. Mal o dia começava a luzir, botava às costas os sachos com que cuidava das territas e lá seguia pelos carreiros, bem ligeiro, não fosse encontrar os pastores que, cediços como ele, levavam as nuvens de poeira e ovelhas ao pasto. As territas eram cousa de pouca monta, uns retalhos onde semeava algum pão e uma vinhita que lhe dava o suficiente para beber qualquer coisa à hora do jantar ou da ceia. Mantinha ainda um quintalzito desbastado, com algumas couves espetadas entre os torrões duros e ressequidos, que a falta de água não era só no resto do povo. E nós, catraios de curiosidade espicaçada por tudo o que fosse hábito estranho, não deixávamos de espreitar o costumeiro vaivém do velhote.

   Mal tínhamos descanso nas tropelias e zaragatas, recompostos com alguma fruta apanhada à socapa, lá íamos espreitar novamente o Ti Manel, mais certinhos que ano bissexto. E trejeitos curiosos tinha o homem. Depois de fazer alguns regos na terra dura, ou de sachar umas ervas no  vinhedo, era capaz de ficar horas a olhar para o céu, quase sempre despido de nuvens, quando não calhava baixar os olhos para o vale que lhe aparecia na frente, rodando ligeiramente a cabeça para acompanhar o gado que ia para os lameiros ou os lavradores que cuidavam dos campos.

 

© Blog da Rua Nove

25
Abr07

Cromos dos Anos 60 - Alfa Romeo

blogdaruanove

 

Alfa Romeo Giulia 1600 Spider

 

Cilindrada: 1570 c. c.

Consumo: 10 l/100km

Taxa de compressão: 9,1

Potência: 92 Cv. DIN

Velocidade máxima: 183 km/h

Travões: disco às 4 rodas

Motor: 4 cilindros em linha

Tracção: traseira

País: Itália

 

© Blog da Rua Nove

25
Abr07

Dinossauro Excelentíssimo

blogdaruanove

João Abel Manta (1928), ilustração para Dinossauro Excelentíssimo (1972),

de José Cardoso Pires (1925-1998)

 

   Em 1973, discorrendo sobre Dinossauro Excelentíssimo, na edição "Ars Bibliográfica" promovida pela Galeria 111, José Cardoso Pires afirmou:

 

   "Ao escrever esta fábula (fábula porque se passa no tempo em que os animais falavam e os homens sufocavam) eu sabia que a memória política é frágil; que se conta com isso para repetir o erro histórico e apagar analogias. O que lá vai lá foi, é como se diz. E pede-se uma esponja sobre o passado. Amortalha-se o tirano em silêncio piedoso e entrega-se ao crepúsculo a sua biografia ainda viva, ainda legível e contemporânea das vozes testemunhais, para que em breve ela se torne enigmática e mitificada."

 

© Blog da Rua Nove 

25
Abr07

Autógrafos - Manuel da Fonseca

blogdaruanove

Manuel da Fonseca (1911-1993), Um Anjo no Trapézio (1968)

Capa de Pilo da Silva (Piló; 1905-1988)

 

 

Manuel da Fonseca (1911-1993)

   Autor neo-realista, Manuel da Fonseca desenvolveu em prosa uma obra que retrata o Alentejo, as suas vilas e os seus montes, a sua ruralidade, o sofrimento da sua gente, a solidão. Como muitos dos escritores daquele movimento, Manuel da Fonseca era militante do PCP. A sua primeira colectânea de contos, Aldeia Nova, surgiu em 1942. Na poesia, Rosa dos Ventos (1940) foi a sua primeira publicação, em edição de autor. Seguindo os cânones neo-realistas, deixou-nos belíssimos poemas, como Domingo, um comovente retrato da vida urbana, com as suas desilusões e as suas esperanças.

   De Um Anjo no Trapézio, uma colectânea de narrativas essencialmente urbanas, transcreve-se o excerto inicial do conto Manhã Sem Dia:

 

   " Cada vez, as ondas subiam até mais longe, pela duna. Com um referver assobiado de espumas, quase chegavam agora aos pés do homem que estava lá em cima deitado, a olhar para a aldeia.

   Só quando a primeira onda lhe molhou as pernas o homem se apercebeu do encher da maré. Levantou-se. De roupão meio encharcado a arrastar pela areia, foi estender-se um pouco adiante da crista da duna. Apoiou o queixo nos punhos cruzados, e continuou a olhar a aldeia.

   Assim estava ainda, quando o ranger da areia sob pés nus soou. Nem se moveu. Sabia que era a mulher que vinha ao seu encontro, como todas as manhãs.

   – A água? – perguntou ela, depois de poisar o saco.

   – Hã?

   Quieta, por instantes, a mulher observou-o. De costas para o vento, ajeitou o roupão sobre a areia, tirou do saco um frasco acastanhado, uma caixa azul, redonda, e sentou-se.

   – Como está hoje a água? – tornou ela a perguntar. – Fria?

   – Não sei – disse secamente o homem. – Ainda lá não fui."

 

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24
Abr07

Velhos Tempos (I)

blogdaruanove

http://www.flickr.com/photos/aarthyr/ Photo © aarthyr

 

   – Oiça lá: você ainda se lembra do tempo em que nós dois andávamos ao sopapo, ali prás bandas do rigueiro dos tojos?

   Aquela pergunta, atirada com ingenuidade para o meu saco de memórias emaranhadas e poeirentas, levou-me a fixar com curiosidade e surpresa o bigode grisalho daquele matulão que agora me segurava os ombros...

   Se me lembrava... Naquela altura, os pêlos que agora pareciam suportar o nariz daquele rosto arredondado e bonacheirão eram uma leve mancha escura, prometendo crescer e arreigar-se com as chuvas que ainda haviam de fazer crescer várias sementeiras. As zaragatas apareciam e desapareciam com rapidez de pardais em dia de malhada. Hoje uma troca de rasteiras e palavras ameaçadoras no adro da igreja, amanhã uns arremedos na eira, e o dia seguinte trazia pancadaria pela certa. Mas quando se tratava de pregar alguma partida aos homens lá da terra ou a alguma tiazinha, o caso mudava de figura: juntávamos a nossa traquinice e ai daquele que tivesse de nos aturar! Muitas vezes quedávamo-nos pelos assaltos ao quintal do padre lá da freguesia, quase sempre interrompidos pela tiazinha rendeira a enxotar-nos com uma velha vassoura rala e algumas pragas, mas também chegávamos a fazer longos e serpenteantes carreiros pela seara madura do Ti Manel Fronha, velho rezingão sempre a acirrar-nos com resmungos e sermões próprios d'home que não matabichava.

 

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24
Abr07

Adelina Abranches

blogdaruanove

Caricatura de Pedro Cid, O Vira, n.º 1, 1 de Março de 1906.

 

   Adelina Abranches (1866-1945) estreou-se como actriz logo em 1871, no teatro D. Maria. Celebrizou-se como intérprete de papéis masculinos e de peças vicentinas, tendo alcançado uma posição notável entre os actores do seu tempo. Já no fim da sua carreira foi distinguida com o colar da Ordem de Santiago.

   Sobre ela, e o seu desempenho na peça Ressurreição, escreveu o crítico teatral Braz Burity (Joaquim Madureira), no seu livro Impressões do Teatro: 1903-1904 (1905): 

 

   "Adelina Abranches – uma organisação de artista inculta e espontanea num corpo rachytico e minusculo de boneca – com largo cadastro de dramalhões no Principe Real a zigzaguiarem-lhe, em borrões de plebeismo e faulhas de talento, a curva ascensional da sua carreira artistica, é a mais modelar vocação dramática que as plateias populares teem entorpecido, e, tendo vincado na Arte radiosa e pujante das Privilegiadas, o papel de Yanetta, no Robe Rouge, e a sahida do commissariado na Rosa Engeitada, é hoje, entre a gente nova da troupe de S. Luiz a mais baixa das mulheres e a mais alta das artistas, a de menores classificações nos canhenhos da claque e a de maiores recursos na simplicidade dos processos. Tem uma individualidade e impõe-na, ao lado das que têem figurinos e os decalcam."

 

  

Adelina Abranches no último acto da revista À Procura do Badalo

Note-se a indumentária de influência Arte Nova, celebrizada pela actriz francesa Sarah Bernhardt (1844-1923) e pelo ilustrador checo Alphonse Mucha (1860-1939).

 

   "Com uma voz destestavel e uma figura liliputiana, sem educação artistica de conservatorios e de viagens á Estranja, aguentou e defendeu o seu papel da Resurreição, complexo e cheio de gradações, tendo sido, á força do talento, ingenua e lilial [?] na Katucha , sordida e bestial, á custa de originalidade e de estudo, na Maslowa, nuançando scena a scena, phrase a phrase, gesto a gesto, toda a evolução daquella alma de mulher: da castidade infantil á luxuria do alcouce; da inconsciencia da prisioneira ao renascer pelo amor, na enfermaria; e, á resurreição, pelo sacrificio, na Siberia."

[Como é óbvio, a transcrição respeitou a grafia original.]

 

Adelina Abranches contracenando com sua filha, Aura Abranches (1896-1962),

na peça Duas Vidas, que Charles Oulmont escreveu propositadamente para a actriz.

 

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