Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

Trinta e Três

Photo © fabiogis50

 

   A neblina cobrindo o mar, ao longe, e cintilando até ao parque. Freddy em pé, num autocarro de dois andares, acenando para o céu. As lagartixas imóveis, esperando que o sol de outono as viesse aquecer naquele fim de tarde. A sombra de Montserrat à distância, longe do Liceo onde a Cabballé aguarda  o autocarro, sabendo que ainda demorará. O passeio discreto e anónimo no Paseig de Gracia, por entre a multidão e a genialidade omnipresente de Gaudi. Tapiès a espreitar para nós...

 

 

    Jesus. Maria. José. A Sagrada Família. A entrada franqueada. Os portões abertos de par em par. O bronze encerrando para sempre o enigma do número trinta e três. Um. Catorze. Catorze. Quatro./Onze. Sete. Seis. Nove./Oito. Dez. Dez. Cinco./Treze. Dois. Três. Quinze.

 

 

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Domingo, 8 de Abril de 2007

Sem Comentários - José Malhoa

 

José Malhoa (1855-1933)

Praia das Maçãs (1918)

 

© Museu do Chiado, Lisboa

publicado por blogdaruanove às 17:47
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Sábado, 7 de Abril de 2007

Sem Comentários - José Malhoa

 

José Malhoa (1855-1933)

Clara (1918)

 

© Museu do Chiado, Lisboa

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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007

Gólgota

Photo © Yokitis

 

   O fascínio e a graciosidade insuspeita de uma louva-a-deus, aguardando a presa. A hipocrisia do nome e da hierática imobilidade. A redundante inocência dos inocentes. A ignorância de todo o tempo que três noites podem durar. A voluntária inocência do voluntário sacrifício individual. A catarse colectiva. O eterno sofrimento involuntário dos eternos pecadores...

 

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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

Alentejo

 

Photo © marcella bona

 

   O Alentejo é um olhar que se perde no horizonte. Um horizonte que apenas termina quando cerramos os olhos, cansados de buscar limites na paisagem. É ainda o esvoaçar das garças, junto do Dejebe. O branco aromático da flor de laranjeira. A viçosa verdura dos coentros, depois das chuvas. O inconfundível cheiro do poejo. A impossível brancura de uma parede caiada, que nos cega ao sol do meio-dia. E a indescritível e doce cegueira de sonho que permanece após o sol-pôr.

 

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Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Autógrafos - Fernando Namora

Fernando Namora (1919-1989), Retalhos da Vida de um Médico (1949; 5.ª edição, 1955)

Desenhos e capa de Cambraia (datas desconhecidas) 

 

 

Fernando Namora (1919-1989).

   Médico por formação, Fernando Namora é um dos autores que habitualmente se associam ao neo-realismo, quer nas suas obras iniciais, de temática rural, quer nas suas obras posteriores, de temática urbana.

   A temática rural das suas obras retrata quase autobiograficamente a experiência da prática médica na província, particularmente em Retalhos da Vida de um Médico. Esta compilação de contos foi ampliada em 1963. Adaptada ao cinema por António de Macedo (1910-1994), em 1962, originou ainda uma série realizada em 1980 por Artur Ramos (1926-2006) e Jaime Silva (n. 1946). Artur Ramos adaptou ainda ao cinema A Noite e a Madrugada (1985), o romance que Namora publicara em 1950. Também o romance Domingo à Tarde (1961), galardoado com o prémio José Lins do Rego, foi adaptado ao cinema em 1966, por António de Macedo (n. 1931).

   Namora esteve ainda no centro de uma polémica literária, quando Luiz Pacheco (n. 1925), na sua obra Textos de Guerrilha (1979 e 1980), o acusou de plagiar passagens do romance Aparição (1959; Prémio Camilo Castelo Branco), de Vergílio Ferreira  (1916-1996), no seu romance Domingo à Tarde (1961; Prémio José Lins do Rego).  

 

 

   De Retalhos da Vida de um Médico, transcrevem-se os dois primeiros parágrafos do conto Um Homem do Norte:

   "O homem do Norte é, para o alentejano, o galego. O galego que veio de longe, com a sua iniciativa e a sua miséria, desbravar as desoladas charnecas do Sul. as vilas e as herdades cresceram com a ajuda desses emigrantes, e o alentejano, lento, inviolável, não esquece mais o melindre de ter sido empurrado pela perseverança dessa gente que veio de lugares onde um homem, de pernas alargadas, assenta um pé em cada courela. São galegos. Galegos que vieram comer o pão e colher alguns dos frutos da planície imensa, das distâncias sem limites, onde os olhos se dilatam de horizonte e a melancolia cresce como os lagos trigo. Os alentejanos têm na memória os matos que chegavam à soleira da porta, os minguados farrejiais que ninguém pensava em alargar, mas não perdoam que outros tenham colaborado na conquista da terra. Ainda hoje, quando chegam os ranchos do norte, já raros, chegam como inimigos: o camponês alentejano encara-os como competidores do salário, o comerciante aborrece esses miseráveis que disputam um centavo, contentando-se com broa e saramagos, que se assustam com a vizinhança de cafés e cinemas; e até o lavrador, que deles precisa e os chamou, vê neles uma raça de servos.

   O médico, que é quase sempre do Norte, o professor, e sobretudo o que veio nos tempos da conquista da planície e se fixou, gozando uma posição à custa de nervos e economia, encontraram nos mais inesperados momentos um insulto que representa uma nódoa desgraçada: galegos!"

 

 

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Terça-feira, 3 de Abril de 2007

Sugestão para Filme do Mês

 

 

   Beshkempir (Beshkempir, The Adopted Son, 1998). Filme produzido no Quirziguistão, realizado por Aktan Abdykalykov. Exibido pela RTP2 há alguns meses, este filme de uma das antigas repúblicas da União Soviética foi galardoado no Festróia, Festival Internacional de Cinema de Tróia, em 1999.

   Uma película em que a predominância do preto e branco alterna com pequenos e simbólicos fragmentos coloridos, acentuando os ritos de passagem da narrativa.

   Retrato de um mundo rural,  perdido já na maior parte dos países europeus, aborda de forma cativante a complexidade das coisas simples que podem marcam a adolescência. Seguindo um dos pressupostos subjacentes a estas sugestões, o filme apresenta fotografia excepcional.

   Como habitualmente, dados complementares podem ser obtidos em www.imdb.com.

 

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Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

Gravuras, Incunábulos e Cimélios.

Riga (actualmente capital da Letónia) no século XVI.

Sebastian Münster (1489-1552), Cosmographia Universalis

(1544; edição reproduzida, c. 1553).

 

   Com o advento da imprensa de caracteres móveis, em meados do século XV, as iluminuras medievais, ricamente adornadas e coloridas à mão, cederam perante o aspecto monocromático (tinta preta, sobre o branco do papel) da xilogravura. Os incunábulos, obras impressas no século XV, começaram por reproduzir obras de carácter religioso, como a pioneira Bíblia (Mainz, 1450-55) de 42 linhas de Johannes Gutenberg (c.1390?- 1468) e, em Portugal, o Pentateuco (Faro, 1487), o Sacramental (Chaves?, 1488) e o primeiro livro conhecido impresso em Português, o Tratado de Confissom (Chaves, 1489), obras sem predominância da ilustração. A Bíblia, de Gutenberg, apresentava ainda iniciais decoradas à mão, segundo a tradição das iluminuras. 

   Contudo, em 1493, em Nuremberga, Hartmann Schedel editou uma obra magnificamente ilustrada - o Liber Chronicarum, com 1809 gravuras. Embora ainda reproduzisse mapas ptolomaicos, algumas das imagens das cidades eram já relativamente fiéis à realidade.

    No século XVI, os cimélios começaram a reproduzir imagens dos continentes entretanto explorados pelos europeus, surgindo obras importantes como a Cosmographia, de Sebastian Münster, publicada em Basileia em 1544, e a Civitates Orbis Terrarum, de Georg Braun (1541-1622) e Frans Hogenberg (1535-1590), uma colectânea de valor inestimável que reproduz o aspecto de muitas cidades europeias, entre elas várias cidades portuguesas. Um dos primeiros cimélios a reproduzir mapas do Brasil foi publicado cerca de 1556 por Giovanni Battista Ramusio (1485-1557).

   No século XVII várias compilações de imagens e mapas foram publicadas, destacando-se a Description de l'Univers (1683-1688), publicada por Allain Manesson Mallet (1630-1706), que reproduz as várias fortalezas "à Vauban" erigidas em Portugal depois de 1640, gravuras que inspiraram muitas edições posteriores.

   Na primeira metade do século XIX, com a influência do Romantismo, multiplicaram-se as gravuras da Europa, entre elas muitas de Portugal (ver: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/2007/03/20/), Norte de África e Médio e Próximo Oriente.

 

 

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Domingo, 1 de Abril de 2007

Sem Comentários - Setúbal no séc. XVII

 

Setúbal na segunda metade do século XVII.

 

 

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