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04
Jan08

Aspectos do Vidro em Portugal no Século XX

blogdaruanove

  

 

Jarra em vidro branco leitoso, opaco, decorada a esmalte e ouro e assinada "CIP" (Companhia Industrial Portuguesa) e "G.", produzida na Marinha Grande. Década de 1940.

  

   A produção vidreira da Marinha Grande durante o período Art Déco apresentou um grande ecletismo no tipo de vidro produzido e nas técnicas decorativas, mantendo a criação de peças que apelavam ao gosto mais conservador.

   Assim, a produção do vidro branco, leitoso e opaco, evocando a porcelana, permitia apresentar um corpo que acentuava a riqueza do trabalho a ouro e propiciava a execução de desenhos inspirados na decoração de séculos anteriores.

   O vidro opalino, branco e translúcido, característico de alguma produção da primeira metade do século XIX, não foi, contudo, uma das opções das fábricas da Marinha Grande durante o século XX, provavelmente devido às características morosas e onerosas da produção dessa pasta de vidro.

 

 

Pequena jarra em vidro branco leitoso, opaco, decorada a esmalte, possivelmente produzida na Marinha Grande. Década de 1940.

 

   A apresentação de formatos que evocavam as tradicionais formas das peças em majólica e porcelana, como as jarras cilíndricas designadas por "canudos", serviu também para suavizar uma eventual modernidade da decoração, satisfazendo deste modo o potencial conservadorismo do mercado.

   A inexistência de decoração a ouro, porém, tornava a produção das peças menos morosa e onerosa, apelando assim uma classe média que estaria mais aberta a uma inovação decorativa aliada a um custo menos elevado da peça.

 

 

Copo em vidro branco leitoso, cristalino e opalino, decorado a esmalte e ouro, de provável produção francesa. Primeira metade do século XIX. O vidro opalino, um vidro branco leitoso e translúcido, produzido no início do século XIX através da inclusão de cálcio (habitualmente obtido a partir de ossos calcinados), apresenta cintilações de fogo quando mantido contra a luz. Posteriormente, em França, ainda no século XIX, o vidro opalino foi aperfeiçoado com uma nova tonalidade, denominada Gorge de Pigeon, que apresenta fulgurações cor de rosa.

 

© Blog da Rua Nove

02
Jan08

Autógrafos - Ascêncio de Freitas

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Ascêncio de Freitas (n. 1926), Cães da Mesma Ninhada (1960).

Capa de Garizo do Carmo (n. 1927).

 

 

Ascêncio de Freitas (n. 1926). 

   Cães da Mesma Ninhada foi o volume de estreia de Ascêncio de Freitas. Aí anunciava-se já a preparação do livro de contos Fronteira do Inferno e do romance Da Terra Crescem Raízes, obras que não chegaram a surgir com esses títulos. Aliás, o autor apenas voltou a publicar na segunda metade da década de 1970, quando surgiram os volumes À Boca do Passado (1977?), Ontem Era a Madrugada (1978) e E a Raiva Passa por Cima, Fica Engrossar um Silêncio (1979).

   Posteriormente, publicou ainda Boca do Passado (1981), Crónica de Dom António Segundo (1983) e na década seguinte Carmen Era o Nome (1996) e Na Outra Margem da Guerra (1999). Já neste século,  surgiram O Canto da Sangardata (2000), Mentiras, Elefantes e Etcétera: Estórias de Caça em África (2000), A Reconquista de Olivença (2001), Estória do Homem que Comeu a Sua Morte e Outros Contos (2002) e A Paz Enfurecida (2003). 

   Tendo chegado a Moçambique em 1949, Ascêncio de Freitas foi desde o início da sua colaboração em jornais e revistas literárias classificado como um autor moçambicano. No entanto, a acção da maioria dos contos de Cães da Mesma Ninhada, volume premiado pelo Centro de Cultura e Arte  da Beira, em Moçambique, decorre essencialmente nas regiões costeiras da Estremadura e Beira Litoral. Apenas o último conto, "Uma Casa na Serra", apresenta um espaço de acção moçambicano.

   Do conto "Linhas de Rumo", transcrevem-se alguns parágrafos:

 

   "Excitado, levou o copo à boca e emborcou-o. Marçalo inclinou-se sobre a mesa e pousou a mão aberta sobre a toalha.

   – Olhe! Quer ouvir uma coisa que eu lhe digo? O padre da minha freguesia é um tipo teso de verdade.

   O sargento riu-se:

   – Qual o quê. Ó rapazinho! Havia de os ver quando eles andaram metidos com os trauliteiros. Pareciam coelhos quando a gente chegava.

   Marçalo virou a cara e ia protestar quando a porta se abriu e entrou um sujeito muito bem vestido e de chapéu na cabeça. Atrás dele entrou outro do mesmo tipo: logo em seguida entraram mais dois, fardados e de cassetete na mão.

   A sua entrada fez calar o padre que discursava e todos olharam ao mesmo tempo para a porta. Mas de repente o padre recompôs-se e recomeçou o discurso como se não tivesse entrado ninguém na sala.

   Marçalo sentiu um arrepio a percorrer-lhe os ossos. O sargento ficou de boca aberta e de copo na mão.

   O padre falava com segurança sem olhar para os outros que tinham entrado. A sua veemência assustava Marçalo. E o sargento começou a murmurar surdamente, entre dentes:

   – Sim senhor!... Sim senhor!...

   Os dois homens bem vestidos dirigiram-se para o padre. Vários homens se levantaram. Entre eles, Marçalo viu Ramalho e o homenzinho baixo. Depois viu Ramalho afastar a cadeira e colocar-se diante dos dois homens. Ficou espantado com o que se passava com a cara do outro: estava pálido e tinha aquela expressão que o fazia temer quando eram garotos e andavam os dois na escola.

   O padre continuava a falar.

   Os dois homens interpelavam Ramalho e ele abanava a cabeça, numa negativa segura e calma. De repente um quis dirigir-se para o padre e ele pôs-lhe a mão aberta diante do peito; depois abriu a mão sobre o  peito do outro fechando-lhes a passagem. Começou a empurrá-los, brandamente...

   Um dos polícias adiantou-se e Marçalo sentiu uma angústia gelada cair dentro de si. Viu o outro vibrar uma pancada forte com o cassetete num dos braços do amigo, que caiu inerte, ao longo do corpo. Depois atirou-lhe nova pancada que lhe apanhou um lado da cabeça.

   Marçalo olhou os outros, rígidos, em fila: as caras sem expressão, como se fossem de cera. O raciocínio não lhe dizia nada e sentia no corpo uma onda enorme de medo, que o sufocava. Ramalho ficara quieto, com os braços caídos e aquela máscara branca e dura a fechar-lhe o rosto. O padre deixara de falar e olhava a cena com os olhos muitos sérios.

   Marçalo, sem saber porquê, curvou-se para o sargento e perguntou-lhe as horas: o outro não desfitou o grupo formado por Ramalho e os três polícias, e não respondeu."

 

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