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Out07

Manuel Ribeiro de Pavia

blogdaruanove

 

Ilustração para a capa de O Pecado Invisível (1955), de Patrícia Joyce (pseudónimo; n. 1913).

 

   " (...) Subimos todos. Ciciar de antecâmara de moribundo. Grupinhos severos em que até os mais íntimos apertam as mãos com gravidade de cerimónia ante a morte eminente. Esvaíram-se as derradeiras probabilidades de salvação, parece. O Fernando Fonseca considera-o [a Pavia] perdido. Com uma pneumonia hipertóxica – segreda-me não sei quem.

   (Atear de pânico surdo de boca em boca. Mas então então os antibióticos nem ao menos curam uma pneumonia?)

   E enquanto alguém se põe a repetir com insipidez de lamentação pendular: " A doença apanhou-o débil de mais. Apanhou-o sem reservas", o bom do Mário Monteiro, com o seu sorriso doce de amargura, esclarece: "Não reagiu a nenhum antibiótico. Era como se ingerisse água fervida..."

   Entretanto, no quarto ao lado, em contraste com este sussurro de azáfama, continua a representação em voz alta de um simulacro qualquer de vida para aturdir de ilusão o homem que vai morrer.

   Volta e meia saem de lá de dentro mensageiros com notícias de desgraça na voz inquieta. Primeiro, o Armando Vieira Santos, que passou abnegadamente a noite em claro ao pé do amigo em perigo. Agora, o Manuel Vieira, escalonado para velar esta noite...

   – Então?

   – Delira, suponho... Há pouco, depois de falar do último poema da Clepsidra (vocês lembram-se do que diz esse poema?), exclamou: "É assim que deve morrer um racionalista!" (...)"

 

in José Gomes Ferreira (1900-1985), Imitação dos Dias (1966; 3.ª edição, 1977). 

 

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