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07
Fev07

Impressões do Outro Lado

blogdaruanove

 

 Em pleno caroço de Manhattan, dá-me a grata impressãode estar do outro lado. (Queremos sempre estar do “outro lado”...)                                    J. R. Miguéis

 

    Estes carrinhos de supermercado, às vezes, são uma carga de trabalhos. Meta a moeda e tire o carrinho. O pior é quando a moeda fica encravada e o dito não entra nem sai. E uma pessoa fica danada, não pelos dez ou quinze eurocêntimos que vale o quarter, mas porque o material deveria ter sempre razão e desta vez não tem. Danados, somos capazes de estar ali vinte ou trinta minutos a teimar com o carro, como se a moedinha valesse largas centenas de euros.

   Neste momento, é uma velhota morena e envolta num sari que luta para meter o carrinho no lugar e  resgatar a moeda. Vê-me chegar e diz logo: vai precisar dum carro? A minha hesitação embaraçada parece-lhe assentimento e pede: dê-me os 25 cents e fique com este... certamente terá mais jeito para o encaixar do que eu! Creio que não tenho nenhum quarter comigo, vou respondendo, enquanto tento sopesar as toneladas de trocos que trago na carteira. O olhar dela denuncia desânimo, mas logo se alegra quando vê as moedas que lhe mostro. Não faz mal, diz, olhando aliviada para os trocos. Dê-me os vinte e cinco cents em dimes e pennies que eu não me importo. Acedo, contente por me livrar daquele peso todo, enquanto penso: meu Deus, é preciso mesmo muita falta de jeito para não conseguir encaixar uma coisa destas!

   Entro, dirigindo-me para a secção de frutas e legumes. Junto dos frutos tropicais, uma rapariga de feições jamaicanas escolhe papaias. O bâton tornando os lábios ainda mais carnudos quando parece aspirar o aroma da papaia. As narinas dilatadas, lábios e fruto como um só. Na extremidade dos dedos, as unhas, postiças e infinitamente longas. Uma mão de unhas brancas, outra de unhas pretas. Saia-calça larga e blusa justa. Tudo preto. Os sapatos brancos, saltos de uma altura estonteante e uma enorme margarida preta no cimo. Só lhe faltava o tal swatch, aquele das horas brancas e minutos pretos... e no entanto, apesar do aspecto bizarro, garanto que o conjunto funcionava. De tal modo, que me perguntei se teria sido ela a inspirar-se no relógio, ou a Swatch nela...

   Na caixa, o apelo em cartazes gigantescos: Ajude-nos a manter os preços baixos, embale as suas próprias compras! De modo que concluí que os dez cents que levam por cada saco devem ser para manter o equilíbrio ambiental...

   Saio do supermercado, preparando-me para meter o carrinho no lugar. Encaixo-o e tento meter a lingueta para reaver a moeda. Tento... Insisto e volto a insistir. Qual quê! Nada. Desisto e deixo para trás moeda e carro. Alguns metros andados, sinto uma irresistível vontade de me virar, sem saber porquê. Vejo então uma velhota, de aspecto familiar, às voltas com um carrinho... o carrinho que eu tinha deixado, o meu carro! Parecendo não o conseguir encaixar, pedia a alguém que lhe devolvesse o quarter e ficasse com o carro...

 

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