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Fev07

Autógrafos - Aquilino Ribeiro

blogdaruanove

 

Aquilino Ribeiro, Filhas de Babilónia (1920;4.ª edição, 1925).

Capa de Stuart Carvalhais (1887-1961).

 

 

Aquilino Ribeiro (1885-1963).

   Autor habitualmente identificado com uma temática de índole regional e um léxico narrativo quase hermético, Aquilino Ribeiro elaborou contudo textos de características diversas, como aqueles que constituem as duas novelas deste volume - "Os Olhos Deslumbrados" e "Maga". 

   A globalidade da sua obra, mais heterogénea do que genericamente a história literária nos pode levar a pensar, inclui Terras do Demo (1919), um dos primeiros paradigmas dessa produção de índole aparentemente regionalista, mas também textos tão díspares como O Romance da Raposa (1924), um diário dos momentos iniciais da I Grande Guerra, É a Guerra (1914) e ainda uma adaptação do clássico Peregrinação (1933), de Fernão Mendes Pinto (1514?-1583). 

 

   De "Olhos Deslumbrados", transcrevem-se uma breve passagem, de nítido sabor queirosiano, e a conclusão da novela:

 

   "(...) Portugal é uma vinha vindimada para escritores; Portugal lê hoje o que Paris cuspiu há vinte anos. Não há um Portugal do século XX, há um Portugal do tempo da casaca verde. (...)"

 

   "(...) - Loucuras, Elsa. Sou o mesmo, o mesmo!

   E, como continuasse a chorar, envolvi-a em meus braços, vencido, dominado por aquela tão bela fragilidade.

   - Espera... - e, acabando de despir-se, jovialmente já, entrou na cama.

   Ante aquele corpo tépido, amoroso, ligeiro, duma ternura não mentida, esquecendo tudo, cedi à vertigem que de muito longe me levava»."

 

   Para que estas citações não desmereçam os "saborosos copos bebidos no Funil Gordo" da dedicatória de Aquilino, transcreve-se ainda uma outra passagem do livro, desta vez um parágrafo da novela mais curta, "Maga":

 

   "Bulevar fora, da Madeleine à Porte Saint Denis, os confeiteiros industriavam-se em dar realidade ao banquete fabuloso de Trimalquião. Galinhas de doce, com os tons imitativos da plumagem, punham de cócoras, em porcelanas caras, ovos que prometiam encerrar licores para beber e cair de gôzo. Faisões, saídos duma receita de convento, arremedavam, pintalgados, os faisões dos bosques. Galeras de chocolate, castelos de pudim, soldados de caramelo compunham painéis de modo a envergonhar o mais flagrante panóptico. E entre as obras primas da gulodice, perús trufados, ninhos de andorinha que perfumam a canja dos mandarins, tartarugas patinhando numa duna de caviar, trutas de Dembes, lagostas dos mares de Portugal, davam apetite ao mais enfastiado. Todo o regabofe do paladar e tôdas as fantasias da cozinha provocavam dos mostruários a fartos e a famintos, a estes deixando o consôlo - chalaceava Armando - de que tais iguarias arrombariam a máquina até à quarta geração. Mas o impudente desafio, o aroma, a forma e, mais que tudo, o sentimento do inacessível, arrancaram lágrimas a Lea, dando, ainda, vontade a todos três de trocarem o estômago são contra os dentes podres dos ricos."

 

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