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Ago07

Sonja

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Photo © aarthyr (http://www.flickr.com/photos/aarthyr/)

 

Sonja. Um cabelo sedoso guardando momentos inesquecíveis. Perfumados e serenos, os momentos. Longos e tristes, os fios do teu cabelo. Um relicário, negro como azeviche, ocultando um paraíso perdido. O olhar, melancólico, acompanhando a tristeza do sorriso. Ah! Mas esses momentos de beleza triste, Sonja, esses momentos de beleza triste não podem perdurar. Levantas enfim o rosto e és desmascarada. Desmascarada pelo brilho mágico e pelo encanto sedutor desse teu olhar.

 

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26
Abr07

Velhos Tempos (II)

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http://www.flickr.com/photos/aarthyr/

Photo © aarthyr

 

   As judiarias que lhe fazíamos eram menos por maldade que por necessidade de descobrir a sua maneira esquisita de viver – pessoa de poucas falas, fazia vida à parte, no seu casebre enterrado por entre as fragas afastadas do povoado, que nem bicho do mato. Mal o dia começava a luzir, botava às costas os sachos com que cuidava das territas e lá seguia pelos carreiros, bem ligeiro, não fosse encontrar os pastores que, cediços como ele, levavam as nuvens de poeira e ovelhas ao pasto. As territas eram cousa de pouca monta, uns retalhos onde semeava algum pão e uma vinhita que lhe dava o suficiente para beber qualquer coisa à hora do jantar ou da ceia. Mantinha ainda um quintalzito desbastado, com algumas couves espetadas entre os torrões duros e ressequidos, que a falta de água não era só no resto do povo. E nós, catraios de curiosidade espicaçada por tudo o que fosse hábito estranho, não deixávamos de espreitar o costumeiro vaivém do velhote.

   Mal tínhamos descanso nas tropelias e zaragatas, recompostos com alguma fruta apanhada à socapa, lá íamos espreitar novamente o Ti Manel, mais certinhos que ano bissexto. E trejeitos curiosos tinha o homem. Depois de fazer alguns regos na terra dura, ou de sachar umas ervas no  vinhedo, era capaz de ficar horas a olhar para o céu, quase sempre despido de nuvens, quando não calhava baixar os olhos para o vale que lhe aparecia na frente, rodando ligeiramente a cabeça para acompanhar o gado que ia para os lameiros ou os lavradores que cuidavam dos campos.

 

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24
Abr07

Velhos Tempos (I)

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http://www.flickr.com/photos/aarthyr/ Photo © aarthyr

 

   – Oiça lá: você ainda se lembra do tempo em que nós dois andávamos ao sopapo, ali prás bandas do rigueiro dos tojos?

   Aquela pergunta, atirada com ingenuidade para o meu saco de memórias emaranhadas e poeirentas, levou-me a fixar com curiosidade e surpresa o bigode grisalho daquele matulão que agora me segurava os ombros...

   Se me lembrava... Naquela altura, os pêlos que agora pareciam suportar o nariz daquele rosto arredondado e bonacheirão eram uma leve mancha escura, prometendo crescer e arreigar-se com as chuvas que ainda haviam de fazer crescer várias sementeiras. As zaragatas apareciam e desapareciam com rapidez de pardais em dia de malhada. Hoje uma troca de rasteiras e palavras ameaçadoras no adro da igreja, amanhã uns arremedos na eira, e o dia seguinte trazia pancadaria pela certa. Mas quando se tratava de pregar alguma partida aos homens lá da terra ou a alguma tiazinha, o caso mudava de figura: juntávamos a nossa traquinice e ai daquele que tivesse de nos aturar! Muitas vezes quedávamo-nos pelos assaltos ao quintal do padre lá da freguesia, quase sempre interrompidos pela tiazinha rendeira a enxotar-nos com uma velha vassoura rala e algumas pragas, mas também chegávamos a fazer longos e serpenteantes carreiros pela seara madura do Ti Manel Fronha, velho rezingão sempre a acirrar-nos com resmungos e sermões próprios d'home que não matabichava.

 

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15
Mar07

Narcisus

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Photo © Graça Vargas

 

   I have seen many of her images. I have noticed her obsession with her own image. I have noticed her obsession with her own eyes. And  her look. A desire of metamorphosis into another self. The other masks of Cindy Sherman.

 

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12
Mar07

Aarthy

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http://www.flickr.com/photos/aarthyr/

Photo © aarthyr

 

   What runs towards your eyes, Aarhty? Images from distant worlds, like the ones evoked by Philip K.? Or the electric sheep that may have been dreamed by his androids? A Thursday night out, on Bloor, or a chat at the graduates' lounge, on the seventh floor? The tattoo of a Portuguese man diving in Mexico or thousands of Indian tikkas? (Or even memories from the future?)

   I know what is in your mind, and runs towards your eyes, Aarthy.

   Alice, Aarhty, Alice. All her mirrors and all her wonders.

 

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12
Mar07

Spell

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Photo © aarthyr

 

   Há palavras mágicas. Dizemos orvalho e a nossa imaginação percorre montes e vales, ansiando por uma cintilação particular. Surge um prado. Junto a um muro, a sombra de umas silvas. As pequenas gotas resistindo ao sol da manhã. Amoras. Verdes umas, quase maduras outras. Uma multiplicidade de brilhos e cores. Encantamento. Verde, azul, amarelo, vermelho. O azul-esverdeado de ágeis libelinhas, vibrando e volteando vertiginosamente. Uma velocidade ziguezagueante, quase invisível, perfurando a transparência líquida. O vermelho-amarelo morno das pálpebras, descidas e viradas ao sol. E a palavra orvalho, rapidamente pensada e repetida em inglês. Dew. Dew. Dew. E a palavra orvalho, lenta e suavemente murmurada em castelhano. Rocio... Rocio... Rocio... Os olhos fechados. Os lábios cerrados. E o sabor da manhã dentro de nós.

 

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