Coisas do Arco-da-Velha

Photo © fusaka (http://www.flickr.com/photos/fusaka/)
Perante a verticalidade imensa e inultrapassável de uma parede de tijolo, estacamos, atónitos. Surge de repente a cor. Verde, preto, branco. Vem depois a horizontalidade e a magia. A brancura a perder de vista leva-nos para o outro lado do muro. Uma sala de altura indefinida. Branca. Flutuamos no nada. Não há em cima nem em baixo. O nosso olhar descobre uma minúscula mancha. O vermelho-acastanhado de alguns tijolos. Um interstício entre eles. Espreitamos. Através desse olhar, somos sugados para o outro lado. E ficamos perplexos, sem saber se temos os olhos abertos ou fechados. Estamos num mundo sem cor.
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