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15
Ago07

Autógrafos - Miguel Torga

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   A tradução castelhana de Bichos saíu em 1946. Torga assinara o seu prefácio em Maio de 1944, um prefácio posteriormente incorporado nas edições portuguesas. Nesse prefácio Torga escreveu:

 

   "No puedes calcular la emoción con que vengo ante tí a presentarme y a presentarte mi pequeña arca de Noé. Hijo occidental de Iberia, fué siempre España uno de mis puntos de honra. Desde que en un día remoto fuí a Santiago de Compostela a ver el Pórtico de la Gloria, nunca más pisé su suelo ni pronunié su nombre sin amor. Mi patria cívica acaba en Barca de Alva; pero mi patria telúrica acaba sólo en los Pirineos. Hay en mi pecho angustias que necesitan de la aridez de Castilla, de la tenacidad vasca, de los perfumes de Levante y de la luna de Andalucía. Soy, por la gracia de la vida, peninsular."

 

   Esta declaração de iberismo viria, mais à frente, a ser filosófica e logicamente explicada através de uma dicotomia antitética que necessariamente exige mútua complementaridade:

 

   "Del mismo modo que, territorialmente, Iberia no se comprende sin un margen atlántico donde un Tajo toledano venga a desaguar en claridad los colores sombríos que el Greco le dió, tampoco se puede entender el mundo de nuestra naturalidad animal donde un sapo no sea capaz de hacernos confidencias."

 

 

 

   É esta atitude de dialéctica entre o humano e o animal, uma dialéctica enquadrada e regida pela natureza, estilisticamente sustentada pela prosopopeia mas filosoficamente desenvolvida através de uma empatia e uma simbiose cosmogónica, que transmite a Bichos as suas características magnéticas e maravilhosas. A galeria de personagens é das mais ricas e absorventes que Torga prosador criou. Bambo, o sapo, é uma personagem que o autor salienta no prefácio castelhano. Mas Nero, o cão, Vicente, o corvo, Tenório, o galo, e Ladino, o pardal, são protagonistas inesquecíveis nas suas personificações e metamorfoses.  As evocações de  Apuleio e Ovídio surgem com outras dimensões, e animais que muitas vezes se ficavam pela dimensão da clássica fábula de Esopo ganham contornos inesperados.

   Madalena, um alter ego da Madalena bíblica, surge-nos aqui em todo o esplendor do seu sofrimento e da sua tragédia. Uma Personagem. Como só Torga conseguiu desenvolver no minimalismo cosmogónico dos seus contos rurais.

    Inicialmente integrada nesta colectânea, a história de Bingo, o macaco, foi posteriormente excluída de Bichos. Pela sua maior raridade, transcreve-se o último parágrafo deste conto, retirado da segunda edição (1941):

 

   "E morria macaco, realmente. Morria tal como nascera, inquieto, trémulo, incompreendido. Morria sôbre um telhado, sòzinho, varado de lado a lado por uma bala, a ver a cidade estendida pelas colinas como um lençol. E não era isso o pior. O pior é que não poderia por muito tempo manter aquela posição em que estava, a única que o impedia de rolar pela têlha abaixo e cair dum sétimo andar na calçada. Além disso, o único ôlho que lhe restava toldava-se de nevoeiro. De certeza ia perder o equilíbrio e rolar desamparado pela têlha. De certeza. Mas não estava arrependido do que fizera. Só tinha pêna era de ir assim como ia cair do telhado abaixo e dar o último suspiro lá no fundo, na rua, a ouvir as gargalhadas dos meninos."

 

© Blog da Rua Nove

08
Ago07

Autógrafos - Miguel Torga

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Contrariamente ao que se indica na maior parte das referências impressas na obra de Miguel Torga, durante a sua vida, a segunda edição de Bichos (1.ª edição, 1940) aparece datada de 1941, na capa e no incipit, e não de 1942. O lapso ocorreu a partir da 1.ª edição de Rua (1942), pois a 2.ª edição do Diário (I), publicada previamente no mesmo ano, ainda indica 1941 como data da segunda edição de Bichos.

 

Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, 1907-1995).

   No próximo dia 12 de Agosto celebra-se o centenário do nascimento de Miguel Torga. Ao longo das próximas duas semanas publicar-se-ão pequenos textos sobre este autor de referência na literatura portuguesa do século XX.

   Excepcionalmente, não se reproduz qualquer autógrafo do escritor. Todos os bibliófilos sabem que estes são extremamente raros. A tal propósito, cite-se uma história, aparentemente verídica, que circula oficiosamente e  já foi publicada, gracejando com a raridade dos autógrafos e dedicatórias na sua obra. Certo dia, Mário Soares (n. 1924) interpelou o autor, dizendo-lhe: "Ó Torga, você diz-me sempre que nunca dá autógrafos, mas eu, aqui há uns tempos, adquiri num alfarrabista um livro seu, autografado e dedicado a (...)!" Resposta de Torga: "Pois é, se você tivesse visto as pernas dela!..."

   (Note-se que esta é uma versão livre do diálogo, embora o tratamento por  "você" pareça ter feito parte da versão original.)

 

© Blog da Rua Nove 

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