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09
Jul07

Um Soneto Não Póstumo de Florbela Espanca

blogdaruanove

 

O Meu Soneto

Em atitudes e em ritmos fleugmáticos,

Erguendo as mãos em gestos recolhidos,

Todos brocados fulgidos, hieráticos,

Em ti andam bailando os meus sentidos...

 

E os meus olhos serenos, enigmáticos,

Meninos que p'ela [sic] estrada andam perdidos,

Dolorosos, tristíssimos, extáticos

São lêtras de poemas nunca lidos...

 

As magnolias abertas dos meus dedos

São mistérios, são filtros, são enrêdos

Que pecados d'amôr trazem a [sic] rastros...

 

E a minha bôca, a rútila manhã,

Na via-láctea, lírica, pagã,

A rir desfólha as pétalas dos ástros!...

 

   Esta poesia de Florbela Espanca (1894-1930), que desde a primeira edição de Sonetos Completos (1934), e até hoje, tem sido agrupada com outros sonetos num conjunto intitulado "Reliquiae" (Versos póstumos publicados pela primeira vez com a 2.ª edição de Charneca em Flor, em 1931), é de facto um esparso e não um soneto de publicação póstuma. Foi publicado pela primeira vez ainda em vida da poetisa, no Magazine Bertrand número 22, de Outubro de 1928, página 72, com a indicação "inédito". A transcrição apresentada respeita integralmente a grafia da época de publicação.

 

© Blog da Rua Nove

05
Fev07

Florbela Espanca

blogdaruanove

Desejos Vãos

 

Eu queria ser o Mar de altivo porte

Que ri e canta, a vastidão imensa!

Eu queria ser a Pedra que não pensa,

A pedra do caminho, rude e forte!

 

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,

O bem do que é humilde e não tem sorte!

Eu queria ser a árvore tosca e densa

Que ri do mundo vão e até da morte!

 

Mas o Mar também chora de tristeza...

As árvores também, como quem reza,

Abrem, aos Céus, braços, como um crente!

 

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,

Tem lágrimas de sangue na agonia!

E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!...

 

Florbela Espanca (1894-1930)

in Livro de Mágoas (1919)

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