Gravuras, Incunábulos e Cimélios.

Riga (actualmente capital da Letónia) no século XVI.
Sebastian Münster (1489-1552), Cosmographia Universalis
(1544; edição reproduzida, c. 1553).
Com o advento da imprensa de caracteres móveis, em meados do século XV, as iluminuras medievais, ricamente adornadas e coloridas à mão, cederam perante o aspecto monocromático (tinta preta, sobre o branco do papel) da xilogravura. Os incunábulos, obras impressas no século XV, começaram por reproduzir obras de carácter religioso, como a pioneira Bíblia (Mainz, 1450-55) de 42 linhas de Johannes Gutenberg (c.1390?- 1468) e, em Portugal, o Pentateuco (Faro, 1487), o Sacramental (Chaves?, 1488) e o primeiro livro conhecido impresso em Português, o Tratado de Confissom (Chaves, 1489), obras sem predominância da ilustração. A Bíblia, de Gutenberg, apresentava ainda iniciais decoradas à mão, segundo a tradição das iluminuras.
Contudo, em 1493, em Nuremberga, Hartmann Schedel editou uma obra magnificamente ilustrada - o Liber Chronicarum, com 1809 gravuras. Embora ainda reproduzisse mapas ptolomaicos, algumas das imagens das cidades eram já relativamente fiéis à realidade.
No século XVI, os cimélios começaram a reproduzir imagens dos continentes entretanto explorados pelos europeus, surgindo obras importantes como a Cosmographia, de Sebastian Münster, publicada em Basileia em 1544, e a Civitates Orbis Terrarum, de Georg Braun (1541-1622) e Frans Hogenberg (1535-1590), uma colectânea de valor inestimável que reproduz o aspecto de muitas cidades europeias, entre elas várias cidades portuguesas. Um dos primeiros cimélios a reproduzir mapas do Brasil foi publicado cerca de 1556 por Giovanni Battista Ramusio (1485-1557).
No século XVII várias compilações de imagens e mapas foram publicadas, destacando-se a Description de l'Univers (1683-1688), publicada por Allain Manesson Mallet (1630-1706), que reproduz as várias fortalezas "à Vauban" erigidas em Portugal depois de 1640, gravuras que inspiraram muitas edições posteriores.
Na primeira metade do século XIX, com a influência do Romantismo, multiplicaram-se as gravuras da Europa, entre elas muitas de Portugal (ver: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/2007/03/20/), Norte de África e Médio e Próximo Oriente.
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