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18
Jul07

Autógrafos - José Viale Moutinho

blogdaruanove

 

José Viale Moutinho (n. 1945), Correm Turvas as Águas deste Rio (1982).

 

 

José Viale Moutinho (n. 1945)

   Jornalista, poeta e ficcionista, Viale Moutinho tem sido um cultor do absurdo em vários dos seus contos, numa linha que apresenta alguns pontos de contacto com a produção de Mário Henriqe Leiria (1923-1980). A sua prática ficcional do absurdo e do fantástico não o afasta, contudo, da contestação e da crítica político-social que, curiosamente, exerce muitas vezes na sua poesia. Mesmo elaborada há décadas atrás, essa contestação mantém muitas vezes a sua actualidade, como se pode constatar no poema apresentado, o qual foi publicado há vinte e cinco anos.

   Embora Viale Moutinho surja como um autor habitualmente esquecido pela crítica e afastado dos lobbies literários, tem uma produção vasta e constante que gera consenso quanto à sua qualidade e se encontra traduzida em várias línguas. 

   De Correm Turvas as Águas deste Rio, transcreve-se o poema da página 49:

 

"DE QUEM SÃO

 

à Raquel e ao Antunes Ferreira

 

de quem são todas estas mãos

dentro dos meus bolsos vasculhando

o cotão à procura da última moeda

perguntava para consigo aquele

que fingia desconhecer quem governava

 

pobre companheiro de jornada teus olhos

nesse musgo enredado que cega

mereciam o grande prémio do apoio

a quem em ti se apoia sem pudor

na terra roubada e no muito suor

 

silêncio é então o que respondes

receoso de que tenham instituído

de novo aquela polícia tão secreta

e que se metia em toda a parte e ouvia

o bater do teu coração como prova de culpa

 

levanta-te meu caro e prepara-te

o pontapé é agora já todos sabemos

que tem de ser agora: afia a bota que

de todos esses monstros de rapina

nem um deve ficar de amostra ou pista"

 

© Blog da Rua Nove

30
Mai07

Autógrafos - Armando Ferreira

blogdaruanove

 

Armando Ferreira (1893-1968), Beco do Alegrete (1959)

Capa de Stuart Carvalhais (1887-1961)

 

 

Armando Ferreira (1893-1968)

   Autor de mais de duas dezenas de best-sellers, numa linha que herdou influências dos textos humorísticos sobre o quotidiano lisboeta como os de Gervásio Lobato (1850-1895), de quem evoca o livro mais famoso, Lisboa em Camisa (1890), na sua obra Lisboa Sem Camisa (1934), e André Brun (1881-1926), Armando Ferreira é hoje praticamente um escritor esquecido. Os seus textos leves e o seu humor ligeiro afastam-no, aliás, da obra dos seus contemporâneos Santos Fernando e, particularmente, Mário Henrique Leiria (1923-1980), um escritor de culto até há poucos anos.

   Transcrevem-se, de seguida, alguns parágrafos de Beco do Alegrete:

   "O Generoso vivia com uma sobrinha, a menina Lurdes, "tilógrafa", empregada num grémio, muito moderna, tão moderna exteriormente, que o Graciano, o proprietário do "imóvel", a comparava a uma construção de dez andares, sem redondezas nem curvas, chata à frente e atrás, como uma caixa de fósforos, posta ao alto; ela porém, que era muito dada às "linhas" de hoje, não se ralava nada, e ao Rosalino, que já lhe propusera namoro várias vezes, durante a escolha dos discos para os bailes de domingo, explicara muito fisiològicamente convicta:

   – Está muito mais perto o coração, quando o peito é chato...

   A verdadeira razão de ela não ceder às investigações do esticadinho do Rosalino era outra; a influência do olhar perturbador do Chico, filho da senhora Andreza, galinheira, com lugar no Chão do Loureiro, um tipo muito "giro", artista fotográfico, que todos os dias ia para a Baixa, com a máquina, e já teria tirado mais de 5 mil retratos, se não usasse aquela táctica do faz que tira, mas não tira. A perturbação no coração da Ludrezinha, vinha de uma divergência de pontos de vista dos olhos do Chico; enquanto o direito lhe admirava o rosto, o esquerdo estava à espreita de quem se aproximava; aquela extravagância, impressionava-a eròticamente e por isso o Chico do "olho torto" tinha grande número de foxes açambarcados com a Lurdes, aos Sábados, no baile do quintal da Normanda – com grande arrelia do Rosalino."

    

   

Armando Ferreira, Os Meus Fantoches (1943)

 

© Blog da Rua Nove

  

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