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10
Ago07

Miguel Torga (II)

blogdaruanove

 

   Torga subdividiu a sua produção literária em poesia, prosa, teatro e poesia e prosa (Diário). Na prosa, encontramos cinco colectâneas de contos – Bichos (1940), Montanha (1941; a partir da 2.ª edição, 1955, Contos da Montanha), Rua (1942), Novos Contos da Montanha (1944) e Pedras Lavradas (1951).

   Neste conjunto, dois volumes apresentam essencialmente uma temática urbana – Rua e Pedras Lavradas.

   A ausência da força arquetípica e da cosmovisão que perpassam pelos seus contos rurais é evidente na maioria destes contos de características urbanas. Aqui, a celebrada força telúrica das personagens torguianas esbate-se, parecendo que estas, personificando Anteu (um dos mitos que Torga evocou na sua obra) e deixando de estar em contacto com a terra e o mundo rural, perdem grande parte do carácter e do carisma que as personagens rurais de Torga apresentam. Surgem, contudo, algumas personagens cativantes e literariamente poderosas, ao assumirem, ao contestarem ou ao sucumbirem perante as tragédias da vida,  da sociedade e da passagem do tempo. E aí, Torga recupera a humanidade, a universalidade e a genialidade das personagens que desenvolveu nos seus contos rurais.

   A impotência do protagonista de "A Reforma" (Rua), o 110, polícia de giro, é paradigmática desta universalidade, um aspecto que é ainda sublinhado pelo brilhante trocadilho entre o estatuto que o guarda acaba de perder e o sentimento que o domina. Um trocadilho que acaba por ser irónico na sua antítese e transforma uma comparação banal numa excepcional comparação literária:

 

   "As duas mulheres estavam suspensas da bôca dêle.

   – Não é que eu me sinta velho... Há outros que podem menos... Em todo o caso os anos estão sobre o lombo, e já cá tenho...

   Espraiava-se a fugir ao essencial, roído dum desespêro fundo, impotente, que lhe raiava os olhos.

   – Mas afinal que foi que aconteceu? – preguntou a mulher, a concretizar.

   Êle então, como um criminoso chegado ao fim da defesa, voltou-se, puxou uma cadeira, e enquanto se sentava pesadamente nela, confessou tudo.

   – Fui reformado..."

 

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