A Tale of Two Palaces

O Palácio da Pena visto do Palácio da Regaleira, em Sintra
O oriente era o centro daquele mundo. Um centro ctónico e vertical que perfurava as rochas, que percorria as grutas, que irrompia das profundidades. Congregava as águas e a terra. O que estava em cima era igual ao que estava em baixo. Os pedreiros estavam cansados, pensando que a tarefa nunca teria fim. No entanto, continuavam. "Truca, truca." O palácio crescia defronte de outro palácio. Pareciam diferentes, mas o que estava em baixo era igual ao que estava em cima. "Truca, truca, truca, truca." A água corria por entre árvores, arbustos e flores. As plantas abraçavam as esculturas dos jardins. As paredes iam crescendo. "Truca, truca." O monte parecia imenso, imutável, eterno. Mesmo quando o sol cedia perante a lua. Dia após dia, noite após noite. A tarefa parecia também eterna. Os pedreiros não paravam e o seu amor pela pedra parecia não ter fim. "Truca, truca, truca, truca." Uma poeira fina soltava-se da pedra, flutuando no ar. Um súbito raio de sol fez a poeira rebrilhar. Os pedreiros pararam, extasiados. A eternidade tranformou-se num momento. E assegura Luís Vaz que, naquele momento, o amador se transformou na coisa amada.
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